Para defesa da Odebrecht, denúncia é 'marco zero'

Advogados da empreiteira reiteraram críticas à condução da operação e afirmaram que trabalham pela absolvição dos investigados

Cynthia Decloedt, O Estado de S. Paulo

24 de julho de 2015 | 20h01

São Paulo - A advogada do grupo Odebrecht e da Construtora Norberto Odebrecht, Dora Cavalcanti, disse que a denúncia oferecida ontem pelo Ministério Público Federal contra o presidente da empreiteira, Marcelo Odebrecht, e outros executivos é o “marco zero” do processo de defesa.

“A partir deste momento se inicia o trabalho da defesa. Até agora havia uma investigação, com prisão de pessoas e não há normalidade na forma que a Lava Jato vem sendo conduzida”, afirmou Dora. 

Assim como outros investigados da operação, os executivos da empreiteira foram presos preventivamente sob o argumento de que poderiam prejudicar as investigações, mesmo sem serem alvo, até então, de uma ação penal na Justiça.

A advogada informou que ela e sua equipe tomaram conhecimento da denúncia do Ministério Público Federal durante a entrevista coletiva do órgão, transmitida pela televisão na tarde de ontem, e que, portanto, não tinham subsídios para se aprofundar sobre o assunto. 

Os advogados da empresa organizaram uma entrevista ontem para explicar o posicionamento da defesa e se manifestar sobre o novo decreto de prisão preventiva contra Marcelo Odebrecht, determinado ontem. 

‘Lealdade processual’. Os defensores da empreiteira não pouparam críticas ao andamento da operação e à qualidade das acusações da Procuradoria, que, de acordo com eles, estão baseadas em “suposições” e não em acusações concretas.

“Nada do que foi dito no Ministério Público Federal contribuiu para justificar a prisão ilegal e que merece ser revogada das pessoas que estão lá”, disse a advogada. 

Técio Lins e Silva, outro advogado da empresa que estava na entrevista, chegou a afirmar, em tom exaltado, que “não há lealdade processual”, ao lembrar que a nova prisão dos executivos decretada ontem ocorreu no mesmo dia em que o Superior Tribunal de Justiça iria julgar o habeas corpus pedindo a soltura dos empresários. “Em minha opinião, (a nova prisão) acontece para perturbar o andamento do habeas corpus.”

Apesar das críticas, os defensores afirmaram que, com a denúncia apresentada, esperam “parar” de serem surpreendidos. “A defesa tem expectativa de parar de ser surpreendida a conta-gotas, objetivando sim a absolvição, porque nós trabalhamos nessa perspectiva”, afirmou Dora.

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