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Para defesa, sentença é ‘injusta’ e ‘grave erro’

Advogado de Marcelo Odebrecht aponta ausência de ‘fundamento’ nas provas contra o empresário e cita ‘puro arbítrio’ do juiz Sérgio Moro

Julia Affonso, Mateus Coutinho, Ricardo Brandt, Fausto Macedo e Valmar Hupsel Filho, O Estado de S.Paulo

09 de março de 2016 | 07h09

O advogado Nabor Bulhões, defensor de Marcelo Odebrecht, divulgou nota ontem na qual classifica a condenação do empresário a 19 anos e 4 meses de prisão pelos crimes de corrupção, lavagem de dinheiro e associação criminosa como “injusta” e como um “grave erro do judiciário”.

“Os delatores isentaram Marcelo Odebrecht; os corréus isentaram Marcelo Odebrecht; as testemunhas isentaram Marcelo Odebrecht; e os documentos produzidos não vinculam Marcelo Odebrecht a qualquer ilícito investigado na Operação Lava Jato. Com efeito, com o devido respeito, a condenação imposta só pode ser concebida como grave erro judiciário ou como expressão de puro arbítrio do julgador”, diz a nota do advogado de Marcelo Odebrecht.

Para o advogado, a sentença é “iníqua e injusta, porque não encontra fundamento nas provas produzidas nos autos da ação penal, como, antecipadamente, demonstrou a defesa em suas alegações finais, cuja fundamentação passou ao largo da decisão agora divulgada”. Segundo Nabor Bulhões, essa ausência de fundamento nas evidências contra o empresário já havia sido apontada pela defesa. Em 1.º de março, a defesa de Marcelo Odebrecht apresentou suas alegações finais, em que afirma que o empresário é inocente e que não há provas documentais nem testemunhais de que ele tenha praticado os crimes a ele imputados pela força-tarefa da Lava Jato.

Recursos. O advogado de Marcelo Odebrecht diz que a defesa “continuará lutando” pela liberdade do empresário – ele está preso desde junho de 2015 –, e por sua inocência “perante as instâncias superiores, estando certa de que a justiça prevalecerá com a sua absolvição”.

A advogada Dora Cavalcanti, que representa o executivo Márcio Faria, afirmou nesta terça-feira, 8, que a condenação do ex-diretor da Odebrecht já era esperada, “na medida em que o Juízo já havia externado sua convicção”. “Márcio Faria irá recorrer da decisão, que considera injusta e equivocada, além de lastreada em provas obtidas ilegalmente”, disse a advogada em nota. Faria foi condenado a 19 anos de prisão pelos mesmos crimes atribuídos a Marcelo Odebrecht.

Na mesma linha, a advogada Flavia Rahal, que defende Rogério Araújo, afirmou em nota que  "o prejulgamento a que foi submetido Rogério Santos de Araújo durante todo o processo faz com que a sentença condenatória, embora extremamente injusta e em ignorância à toda a prova dos autos, não seja uma surpresa". A defesa afirmou ainda que vai recorrer da condenação em instâncias superiores.

 

Procurada, a defesa do ex-diretor de Abastecimento da Petrobrás Paulo Roberto Costa informou que não iria se manifestar sobre a sentença. As defesas dos executivos ligados à Odebrecht, César Ramos Rocha e Alexandrino Alencar não responderam até a conclusão desta edição.

A defesa do ex-diretor de Serviços da Petrobrás Renato Duque não respondeu aos questionamentos da reportagem. O advogado que representa o ex-gerente de Serviços da estatal Pedro Barusco e o doleiro Alberto Youssef não foi localizado pelo Estado

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