Para d. Luiz, falta ''''espírito democrático''''

Bispo afirma que governo Lula não respeita movimentos sociais

Angela Lacerda, O Estadao de S.Paulo

08 de janeiro de 2008 | 00h00

Na retomada das obras de transposição do Rio São Francisco, nos municípios de Cabrobó e Floresta, no sertão de Pernambuco, não houve manifestações nem protestos dos movimentos sociais que condenam o projeto. "Nosso estilo de trabalho não é o confronto", disse o bispo de Barra (BA), d. Luiz Flávio Cappio, que fez jejum, em dezembro, contra a transposição, com o apoio de movimentos sociais e da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB). O retorno do Exército aos trabalhos é, na avaliação do religioso, "uma fotografia da imensa insensibilidade, falta de atenção e de respeito do governo federal com os movimentos sociais e a sociedade civil como um todo". D. Luiz voltou a acusar o Planalto de não dialogar nem debater, apesar da grandeza da obra, orçada em R$ 4,9 bilhões. "O governo não quer dialogar com o povo, não aceita a participação da sociedade brasileira, que foi alijada e marginalizada."Para d. Luiz, o modo como o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva negociou a transposição mostra "total falta de espírito democrático". No final de fevereiro, os movimentos sociais contrários ao empreendimento se reunirão em Sobradinho (BA), em assembléia-geral. RESPOSTA"Estou aberto para conversar, é só ele telefonar", reagiu o ministro da Integração Nacional, Geddel Vieira Lima, após saber das críticas. "Eu converso com todo mundo, sou um homem do Parlamento, experimentado no contraditório", disse ele, em entrevista por telefone. "Estou aberto como sempre estive, é só ele ligar para mim."Apesar de se dizer aberto à discussão, Geddel não admite negociar a paralisação das obras. Ressaltou que pode discutir novas experiências e visões que possam ser incorporadas ao projeto de interligação de bacias do rio.O bispo, representante de segmentos da sociedade civil, defende outra prioridade, voltada à revitalização do São Francisco, com benefícios para pequenos agricultores do semi-árido. Já o governo quer levar água para abastecer municípios de quatro Estados - Pernambuco, Paraíba, Rio Grande do Norte e Ceará - e projetos agrícolas.

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