Para CUT, falta ao governo a cultura da negociação

O presidente da CUT, Luiz Marinho, cobrou do governo a iniciativa de negociar os principais pontos polêmicos da proposta de reforma da Previdência. "Algo estranho acontece no funcionalismo. Aprendi na história do sindicalismo que cada lado, empregador e empregado, apresenta suas propostas e negocia um acordo, mas falta ao governo a cultura da negociação", disse Marinho, após participar da primeira reunião da nova direção executiva da CUT, na sede da entidade em São Paulo. "O Congresso vai realizar mudanças na proposta, nós vamos apresentar nossas emendas, mas não somos ingênuos de não saber que será o governo que vai dirigir o andamento das reformas no Congresso", afirmou. Segundo Marinho, amanhã será instaurada no Congresso uma comissão de acompanhamento da reforma da Previdência, que deverá contar com representantes dos poderes Legislativo e Executivo e das centrais sindicais. Marinho não soube informar, no entanto, quem serão os componentes da comissão, adiantando apenas que o presidente da Câmara, deputado João Paulo Cunha (PT-SP), participará do grupo.Marinho disse ter acertado com o presidente do Senado, José Sarney (PMDB-AP), a constituição de uma comissão de senadores, que vai acompanhar a tramitação do projeto de reforma na Câmara para, desta maneira, antecipar o debate no Senado. "O que não conseguirmos mudar na Câmara, vamos mudar no Senado", afirmou. Marinho citou como principais pontos a serem defendidos pela CUT na reforma a elevação do teto para a aposentadoria de R$ 2,4 mil proposto pelo governo para R$ 4,8 mil; a não taxação de inativos; a adoção de um sistema de transição para idade mínima de aposentadoria dos servidores públicos; e a retirada do fator previdenciário para trabalhadores da iniciativa privada e autônomos.

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