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Para cúpula do PMDB Temer 'escorregou' ao falar de popularidade de Dilma

Os peemedebistas concordam que Temer disse o que realmente pensa sobre cenário político-econômico, mas que não deveria sequer ter aceitado o convite para participar de um evento promovido pelo movimento "Acorda Brasil", grupo que defende o impeachment

Daiene Cardoso e Daniel Carvalho, colaborou Carla Araújo, O Estado de S. Paulo

04 de setembro de 2015 | 17h24

Brasília - A cúpula do PMDB acredita que o vice-presidente da República, Michel Temer, "escorregou" nesta quinta-feira, 3, ao dizer que será difícil a presidente Dilma Rousseff concluir os próximos três anos de mandato se os índices de popularidade continuarem tão baixos como os atuais. Os peemedebistas concordam que Temer disse o que realmente pensa sobre cenário político-econômico, mas que não deveria sequer ter aceitado o convite para participar de um evento promovido pelo movimento "Acorda Brasil", grupo que defende o impeachment da presidente Dilma.

Temer foi questionado sobre os cenários que podem levar ao afastamento da petista e respondeu: "Hoje o índice (de popularidade) é realmente muito baixo. Ninguém vai resistir três anos e meio com esse índice baixo", avaliou. "Se continuar assim, 7% de popularidade, de fato fica difícil passar de três anos", afirmou.

"Acho que ele escorregou por estar em um ambiente que ele não dominava e é hostil", comentou um cacique da legenda. O dirigente, que falou em condição de anonimato, avaliou que Temer não está "habituado ao embate contrário, público e agressivo" e que, uma vez aceito o convite para o encontro, deveria ter se preparado para enfrentar a situação. Há quem concorde no partido com a tese governista de que a frase foi descontextualizada. 

Já os peemedebistas favoráveis ao rompimento com o governo avaliariam que o vice-presidente foi honesto em suas palavras. Parlamentar próximo ao presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), o deputado Carlos Marun (PMDB-MS) disse que Temer está apenas sendo "realista". "Ele trocou o otimismo pelo realismo. É uma declaração que não pode ser considerada simplesmente um ato falho. O vice-presidente Michel relatou uma realidade", afirmou Marun. 

Para o parlamentar, o vice de Dilma tornou-se "realista" ao ser surpreendido com encontros da presidente com integrantes de seu partido - Cunha, o presidente do Senado, Renan Calheiros (AL), e o líder do PMDB na Câmara, Leonardo Picciani (RJ) -, e ao saber pela imprensa de decisões como o corte de ministérios e a recriação da CPMF. 

Marum disse que o governo precisa vencer a crise econômica se quiser reverter a crise de popularidade. "Ou o governo demonstra capacidade de reverter essa situação ou se demonstra incompetente para governar o País", afirmou. "A popularidade da presidente é uma consequência. O maior problema é a crise de credibilidade, que ela não reverte mais. Ela pode reverter a crise econômica. Se reverter, mesmo com a credibilidade abalada, melhora a popularidade".

"Foi uma atitude honesta, com base na experiência e na vivência que ele tem", concluiu o deputado Danilo Forte (PMDB-CE). O peemedebista avalia que na atual circunstância, só Temer teria condições de aglutinar forças políticas e econômicas para tirar o País da crise.

Forte acredita que Temer apenas externou o sentimento da opinião pública, que reprova o governo Dilma. "Golpe no povo é continuar do jeito que está. Ninguém está mobilizando as Forças Armadas, estamos fazendo o debate político", disse.

"A declaração, efetivamente, vai animando aqueles que acham que tem que mudar. Vai mostrando a fraqueza dela, vai solidificando a opinião do povo brasileiro de que ela não tem condição", disse Lúcio Vieira Lima (PMDB-BA).

Oposicionistas. Deputados de oposição também acham que as declarações de Temer são resultado de um choque de realidade. "Como ele começou a andar na rua, captou que a população não aguenta mais ela (Dilma)", afirmou o presidente do Solidariedade e também aliado de Cunha, Paulo Pereira da Silva, o Paulinho da Força (SD). "Até o vice-presidente está concordando que não tem mais jeito, que a Dilma não tem mais condições de governar", disse o deputado.

Para Paulinho, as declarações de Temer engrossarão o movimento suprapartidário pró-impeachment que deve ser lançado pela oposição na próxima semana. O grupo é formado por deputados de PSDB, PPS, DEM, SD, PSC e até partidos da base, como PMDB e PSD.

O líder do DEM na Câmara, Mendonça Filho (PE), acredita que as declarações de Temer demonstram sintonia com a realidade, já que a situação é difícil e o vice-presidente não foi "bem utilizado" na articulação política. "Foi uma constatação, não uma crítica", observou. 

Panos quentes. Os petistas tentaram amenizar a repercussão das frases de Temer e concluíram que o peemedebista foi "mal interpretado". "Acho que foram tiradas do contexto", opinou o vice-líder do governo na Câmara, Paulo Teixeira (PT-SP). O petista disse que Temer vem se mostrando "muito leal a Dilma" e que ambos têm o mesmo objetivo: lutar para tirar o País da crise.

O líder do PT na Câmara, Sibá Machado (AC), foi na mesma linha do colega de bancada. O petista concordou que, da forma como foram divulgadas as declarações, há um clima de desconforto. "Tenho ele na mais alta conta da responsabilidade (com o governo). Ele nos ajudou demais. Não posso acreditar que paire sobre a cabeça dele (Temer) qualquer iniciativa golpista. Gostaria de ouvir dele (a explicação). Quero imaginar que foi mal interpretado", afirmou Sibá.

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