Dida Sampaio/Estadão
Dida Sampaio/Estadão

Para Cunha, 'montagem' contra ele pode vir de uma 'briga de facções'

Dois dias depois de divulgar áudio à imprensa parlamentar admite que gravação é fraudulenta, mas não falou quais eram as 'facções'

MARCELO PORTELA, correspondente , Estadão Conteúdo

23 de janeiro de 2015 | 19h21

Belo Horizonte - O deputado federal Eduardo Cunha (PMDB-RJ) admitiu nesta sexta-feira, 23, que "está claro" que a gravação com conversa telefônica que teria objetivo de comprometer o peemedebista "é uma montagem". O parlamentar encaminhou a gravação, atribuída a integrantes da Polícia Federal (PF), ao Ministério da Justiça pedindo a abertura de investigação porque disse ser vítima de "armação" em meio disputa acirrada com Arlindo Chinaglia (PT-SP) pela Presidência da Câmara. Cunha afirmou que a "montagem" pode ser resultado de uma "briga de facções", sem especificar de onde são essas facções.

"Está claro, como eu sabia, que é uma montagem", disse Cunha ao receber título de cidadão honorário de Belo Horizonte, na Câmara da capital. "Agora eles (PF) apurem onde aquela montagem ia aparecer, como ela surgiu e quem a fez. É importante esclarecer isso para a sociedade. Não dá mais para, em todo processo eleitoral, aparecerem coisas dessa natureza", acrescentou o peemedebista. A divulgação da suposta armação aumentou a tensão entre Cunha e apoiadores da candidatura de Chinaglia, que seria beneficiado pelo envolvimento do peemedebista em denúncias.

Mas Cunha ressaltou que em nenhum momento "fez avaliação" da gravação, assim como não acusou "quem quer que seja" de estar por trás do caso. "Se eu estivesse acusando o governo (de envolvimento na armação), não teria entregue ao governo, através do Ministério da Justiça, para investigar. Se eu estivesse acusando o governo, teria entregue ao Ministério Público", salientou. "Relatei o que me falaram. Não assumi a versão de quem me entregou", completou, referindo-se ao policial federal que teria lhe entregue a gravação em seu escritório no Rio de Janeiro.

Eduardo Cunha alegou que o agente passou mais informações sobre o caso, mas que o peemedebista optou por não tornar públicas porque não "cometeria a irresponsabilidade de macular o nome de quem quer que seja sem prova". "Relatei ao ministro da Justiça coisas mais que não falei publicamente, porque eu não queria expor nomes sem qualquer prova. Poderiam estar sendo vítimas de qualquer tipo de briga de facções. Não farei isso", disse o deputado, que revelou ter nova audiência marcada para terça-feira, 27, com o ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo.

Cidadania honorária. O titulo de cidadão honorário de Belo Horizonte foi concedido a Eduardo Cunha por proposição do vereador e deputado federal eleito Marcelo Aro (PHS), que declarou apoio à candidatura peemedebista. Além do evento na Câmara, Cunha ainda se reuniu em almoço com apoiadores e ressaltou novamente que não está "traçando postura de oposição" ao governo federal. "O que nós não seremos também é submisso ao governo. Vamos garantir a governabilidade. A candidatura do PT é de submissão. Meu adversário do PT já foi presidente da Casa, já se comportou como submisso e essa é a postura dele. E a outra candidatura (Júlio Delgado, do PSB mineiro) representa a oposição. Justamente um terceiro turno eleitoral que não queremos", disse.

Tudo o que sabemos sobre:
Câmaraeduardo cunhaPF

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.