Dida Sampaio|Estadão
Dida Sampaio|Estadão

Para Cunha, governo afrontou PMDB ao nomear Lopes para Aviação Civil

O presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), afirmou nesta quarta-feira que o Palácio do Planalto afrontou e desrespeitou o PMDB

Igor Gadelha, Brasília

17 de março de 2016 | 16h56

Brasília - O presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), afirmou nesta quarta-feira que o Palácio do Planalto afrontou e desrespeitou o PMDB ao nomear o deputado federal Mauro Lopes (PMDB-MG) para o comando da Secretaria da Aviação Civil (SAC). Na avaliação de Cunha, o governo Dilma Rousseff não poderia ter dado posse ao parlamentar mineiro diante da moção aprovada pelo PMDB na convenção do último sábado, 12, proibindo que peemedebistas assumissem cargos no Executivo Federal durante 30 dias. 

Para Cunha, o fato de Mauro Lopes ter assumido a Pasta, mesmo ciente da moção do partido, é um problema de "natureza pessoal". "Agora o governo nomear ministro do PMDB com a decisão da comissão é um desrespeito ao partido. Com a consciência dessa decisão do PMDB, o governo faz uma afronta ao PMDB com a nomeação", afirmou. Na avaliação dele, por conta dessa "afronta", o presidente nacional do PMDB e vice-presidente da República, Michel Temer, não compareceu à posse de Lopes hoje no Planalto.

O presidente da Câmara voltou a pregar o desembarque imediato de seu partido do governo Dilma. Ele defendeu que o diretório nacional do partido marque para a semana que vem a reunião para votar a saída ou não do governo. "Não dá para a gente ficar só com aviso prévio, acho que o PMDB tem que decidir", afirmou. Como mostrou mais cedo o Broadcast Político, a cúpula do PMDB já decidiu que adiantará essa reunião para março. Antes da posse de Mauro Lopes, o encontro que decidiria o futuro da legenda estava marcado para abril.

Cunha fez questão de ressaltar que sua defesa pelo desembarque do PMDB do governo era feita antes de ele autorizar o processo de impeachment da presidente Dilma Rousseff na Câmara. Para o peemedebista, seu partido não deve estar associado com o programa de governo e a forma de governar da presidente Dilma Rousseff. "Acho que o PMDB tem que ficar fora, sair do governo, tem que entregar os ministérios e atuar com independência nas matérias que são para o bem do País", disse o peemedebista. 

Questionado, o presidente da Câmara evitou comentar a nomeação do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva para a Casa Civil, no lugar de Jaques Wagner. Cunha afirmou que é um direito da presidente Dilma nomear "quem ela quiser", assim como é direito de Lula aceitar o cargo oferecido. O peemedebista também disse que não comentaria trecho de conversa telefônica do ex-presidente divulgada ontem, no qual Lula chama Cunha e o presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL) de "fudidos".

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

Tendências:

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.