Para CPI, depósitos na Suíça foram feitos no governo Garotinho

A CPI dos Fiscais constatou que a maior parte do dinheiro existente no Discount Bank and Trust Company da Suíça em nome de quatro fiscais acusados de envolvimento em irregularidades na Secretaria da Fazenda do Rio foi depositado quando dois deles ocupavam cargos importantes no governo Anthony Garotinho (PSB). A constatação é feita em relatório do deputado Carlos Minc (PT), relator da comissão para sigilo bancário.O relatório aponta que a maioria dos depósitos ocorreu quando Rodrigo Silveirinha Corrêa era subsecretário de Administração Tributária e existia a Inspetoria de Contribuintes de Grande Porte, supostamente onde teriam ocorrido extorsões contra empresas.O documento, preparado por técnicos do Banco Central que assessoraram a CPI, mostra que uma conta em nome de Silveirinha recebeu 59 depósitos de US$ 8.306.299 entre maio de 1999 e maio de 2002. O fiscal deixou a subsecretaria em abril de 2002, quando Garotinho deixou o governo para disputar a Presidência. Foi registrado apenas um saque, em junho de 2002, no valor de US$ 19.308. "Vê-se claramente que o dinheiro foi depositado dentro da época em que Silverinha era o todo-poderoso", disse Minc.Uma das contas em nome de Carlos Eduardo Pereira Ramos recebeu 42 depósitos entre dezembro de 1998 e maio de 2002 - ao todo, US$ 12.830.755. Ele assumiu o cargo de chefe da Inspetoria de Grande Porte em janeiro de 1999 e deixou-o em abril de 2002. Já Rômulo Gonçalves recebeu boa parte dos depósitos (ao todo, US$ 2.172.655) ainda no governo Marcello Alencar (PSDB), que acabou em 1998. O primeiro foi em agosto de 1997. O dinheiro, contudo, continuou a entrar em 1999 e parte de 2000.O deputado lembrou que a suposta extorsão contra a empresa SmithKline ocorreu em 1997, e o afastamento de Gonçalves do cargo foi no fim de 1999, por causa do escândalo da suposta chantagem contra a Light. Depois disso, ocorreram dois pequenos depósitos: um em setembro de 2000, de US$ 9 mil, e outro em novembro do mesmo ano. Curiosamente, de outubro de 1997 a julho de 2002, Gonçalves sacou US$ 1.490.831. Já Lúcio Manoel Picanço recebeu a maior parte dos depósitos quando não era mais chefe de gabinete da Secretaria da Fazenda.Veja o índice de notícias sobre a corrupção no Rio

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