Para corregedor, denúncias contra Bethlem parecem 'consistentes'

Deputado Átila Lins diz considerar graves as informações contra o deputado do PMDB, que sugerem recebimento de propina quando comandava secretaria municipal no Rio

LUCIANA NUNES LEAL, Estadão Conteúdo

31 de julho de 2014 | 13h52

Rio - O corregedor da Câmara dos Deputados, Átila Lins (PSD-AM), afirmou nesta quinta-feira, 31, que o deputado Rodrigo Bethlem (PMDB-RJ), suspeito de receber propina de prestadoras de serviço da prefeitura do Rio, está "em situação muito vulnerável".

Caberá ao corregedor a apuração preliminar se o deputado cometeu crime de corrupção e enriquecimento ilícito, em investigação que será aberta a pedido do PPS. Depois de notificado pela Corregedoria, Bethlem terá cinco dias úteis para apresentar a defesa.

Em gravações feitas pela ex-mulher, Vanessa Felippe, o deputado diz que recebia comissões ilegais de ONGs contratadas pela Secretaria Municipal de Assistência Social, que comandou entre 2011 e 2012. Afirma também que tem uma conta na Suíça, não informada na declaração de bens. Imagens mostram ainda Vanessa recebendo a pensão mensal, de R$ 20 mil, em pacotes de dinheiro, segundo ela enviados por Bethlem. Em nota, o deputado disse que as acusações são "infundadas" e alegou que a ex-mulher sofre de transtorno psiquiátrico.

"Ouvi as gravações divulgadas pela imprensa, li a nota do deputado. Não quero fazer prejulgamento, vou examinar a linha de defesa dele. Mas achei muito graves as atitudes e tudo que pesa contra ele. O deputado não contestou em momento nenhum o conteúdo das gravações, está em situação muito vulnerável. Queria ouvi-lo dizer que a gravação é falsa, que é montagem, mas até agora não foi o que ele disse. A relação com a ex-mulher é outro problema. As denúncias parecem muito consistentes", afirmou.

O corregedor tem 45 dias para enviar um enviar um parecer à Mesa Diretora, mas sinalizou que vai concluir antes do prazo. Se considerar que houve quebra de decoro parlamentar, a tendência é que seja aberto processo contra Bethlem no Conselho de Ética.

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