André Lessa/AE - 14.02.2012
André Lessa/AE - 14.02.2012

Para conter união entre PT e Kassab, PSDB pressiona Serra e divide base

Cúpula tucana insiste na candidatura do ex-governador e acirra ânimos no partido

Julia Duailibi, Lucas de Abreu Maia, Gustavo Uribe e Bruno Ribeiro

14 de fevereiro de 2012 | 22h30

As pressões internas do PSDB para que o ex-governador José Serra entre na disputa pela Prefeitura de São Paulo, intensificadas nos últimos dias diante dos passos cada vez mais ousados do prefeito Gilberto Kassab (PSD) em direção ao PT na capital, provocam forte reação dos quatro pré-candidatos tucanos que temem uma ação da cúpula da sigla para engavetar as prévias, marcadas para 4 de março.

 

O prazo para inscrição nas prévias terminou ontem. Serra não se apresentou como pré-candidato. Diante da pressão dos tucanos, especialmente dos gestos do governador Geraldo Alckmin, líderes do PSDB avaliam que Serra, antes totalmente refratário à ideia, estaria mais aberto em relação à entrada na disputa, embora não haja ainda nenhuma decisão. 

 

O cenário, porém, mostra um PSDB fragmentado em função da indefinição de José Serra. Três dos quatro pré-candidatos – os secretários Andrea Matarazzo (Cultura) e José Aníbal (Energia) e o deputado Ricardo Tripoli – disseram ao Estado que continuam na disputa. O secretário Bruno Covas (Meio Ambiente) não se manifestou.

 

“As prévias são irreversíveis, estão aí, e sou pré-candidato. Espero ganhar. (O Serra) se inscreve e segue o procedimento”, declarou Aníbal. “O procedimento decidido pelo partido para a escolha do candidato foram as prévias. Faz seis meses que nós adotamos as prévias. Os pré-candidatos se reúnem e conversam. Quem quiser ser candidato pelo PSDB tem de se inscrever e ir para as prévias”, completou.

 

Tripoli também disse não ter recebido nenhum sinal pedindo para que recue da decisão de disputar. “Vou até o fim”, afirmou.

 

Matarazzo declarou que continua trabalhando em favor de se disputar a eleição interna. “Quantas vezes ela (a possibilidade de Serra se candidatar) não surgiu no decorrer dos últimos seis meses? É um processo natural”, disse. “Ele tem dito que não é candidato, mas as coisas não são fixas. Precisa ver o que ele decide, o que o governador decide e o que o partido decide.”

 

Recados. Alckmin, que não conversa com Serra há pelo menos vinte dias, defende a candidatura do ex-governador e pediu a emissários que falassem com o ex-governador sobre a entrada dele na disputa, como o Estado noticiou em 7 de fevereiro.

 

Ontem, o governador disse que a decisão final será de Serra, mesmo com o prazo para a inscrição nas prévias esgotado. “Se ele quiser ser candidato, é um ótimo candidato, preparado e sério”, afirmou. “Esta é uma decisão pessoal do José Serra que nós devemos aguardar”, completou. “Eu não tenho nenhum fato novo, nenhum fato novo”, frisou.

 

Em janeiro, o ex-governador teria dito a aliados que não pretendia disputar este pleito e que estaria focado apenas na sucessão presidencial de 2014.

 

Mesmo diante das pressões para que Serra se torne o candidato, o presidente estadual do PSDB, deputado Pedro Tobias, mantém o apoio às prévias e defende que, para ganhar a nomeação, o ex-governador participe da consulta interna . “Se Serra participar dessa prévia, tem grande chance de ganhar”, afirmou.

 

Tobias acrescentou que, para que a disputa partidária seja cancelada, é preciso que os quatro pré-candidatos desistam em favor de Serra. “Até onde sei, há dois que não abrem mão”, disse, em referência a Aníbal e Tripoli.

 

‘Tardio’. Aliado de Serra, Kassab reiterou ontem que a união PT e PSD à Prefeitura pode produzir uma boa aliança e ressaltou que Serra não será candidato. “Acho até desrespeitoso da minha parte falar em relação a uma eventual candidatura, porque ele já me afirmou que não será candidato.” O prefeito, que conversou com Serra no final de semana, voltou a dizer que “uma candidatura, quando colocada tardiamente”, pode trazer desvantagens numa eleição. “Você leva uma desvantagem em relação a seus adversários, porque campanha precisa de tempo.” Indagado se era uma referência a Serra, disse: “Prefiro não me manifestar. Essa é uma decisão que depende dele”.

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