Para CNT, 31% das estradas estão "ótimas"

Os investimentos privados e estatais na malha rodoviária nacional permitiram melhorar as condições das estradas brasileiras neste ano, em comparação com 2000. Uma pesquisa rodoviária feita pela Confederação Nacional do Transporte (CNT) mostrou que 31,3% dos 45.294 quilômetros da malha federal e estadual encontram-se em ótimo ou bom estado de conservação. No ano passado, 19,7% da malha foram considerados ótimos ou bons para o trânsito. Para o presidente da CNT, Clésio Andrade, a recuperação mostra que é preciso destinar ainda mais dinheiro para obras nas estradas. Segundo Andrade, o governo federal vem dando pouca atenção para a melhoria da malha rodoviária. O empresário acredita que é necessário, a cada ano, R$ 1 bilhão para colocar as estradas em condições de tráfego. "Este governo vem investindo pouco na recuperação das rodovias", afirmou Andrade. "Desde 1988, quando acabou o Fundo Nacional do Transporte (FNT), estamos verificando o constante descaso para com as estradas." A Pesquisa Rodoviária CNT 2001 mostrou que, enquanto houve avanço significativo na sinalização e na pavimentação das pistas, a engenharia das rodovias manteve-se estagnada. Ou seja, houve pouca mudança no traçado das estradas. Os pesquisadores percorreram 70 ligações rodoviárias e fizeram análises criteriosas a cada trecho de 50 quilômetros. "O resultado comprovou que houve grande volume de recursos para a sinalização", disse Andrade. "A pesquisa aponta itens que devem ser revistos pelo governo e reflete a preocupação da CNT com o transporte." A avaliação apontou a Rodovia Anhangüera, pelo segundo ano consecutivo, como sendo a melhora do País. O trecho administrado pela iniciativa privada no Estado de São Paulo foi classificado como sendo ótimo pelos pesquisadores. Em segundo lugar do ranking ficou a Rodovia Presidente Dutra, outra estrada privatizada. A surpresa da pesquisa foi o nono lugar da rodovia que liga Fortaleza (CE) a Natal (RN) que, no ano passado, ocupava a 52ª posição no ranking da CNT. Enquanto isso, as estradas Juazeiro (BA) a Salvador (BA) e Poços de Caldas (MG) a Lorena (SP) foram apontadas com as piores. A pesquisa mostrou que 75% das melhores rodovias estão situadas nas regiões Sudeste e Sul do País. Já 80% das estradas em piores condições de tráfego encontram-se no Nordeste brasileiro. PedágiosClésio Andrade afirmou que os critérios de cobrança dos pedágios devem ser revistos. Segundo o empresário, o governo federal deveria mudar a tarifa por eixos para ônibus e caminhões como forma de baratear os custos do transporte no território nacional. Por este sistema, o motorista paga uma tarifa de carro passeio para cada eixo. Andrade disse que seria vantajoso cobrar uma tarifa menor, porque "traria impacto significativo na redução do chamado custo Brasil." "Não somos contrários à privatização das estradas", disse. "Porém, um caminhão de cinco eixos não pode gastar 25% do preço do frete com pedágios."

Agencia Estado,

02 de outubro de 2001 | 15h32

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