Para CNI, Lula foi injusto ao cobrar esforço dos empresários

As críticas do presidente Luiz Inácio Lula da Silva à postura passiva dos empresários e o desafio para que reclamem menos e vendam mais provocou mal-estar na comitiva empresarial que o acompanha a viagem à Índia. "Ele (o presidente) não foi justo em relação ao esforço que o empresariado vem fazendo para exportação dos produtos", reagiu o vice-presidente da Confederação Nacional da Indústria (CNI), Robson Braga de Andrade. "Confesso que não entendi essa posição". O vice-presidente da Federação Brasileira da Indústria Farmacêutica, Omilton Visconde, também ficou intrigado com a descompustura passada por Lula. "O empresariado brasileiro é muito ativo e às vezes não procura o caminho das Índias por causa dos custos. Não tem de ser recriminado por isso", afirmou.Logo depois do discurso em que lançou o desafio, Lula foi cercado por empresários. O presidente insistiu em que não havia falado nada demais e repetiu que os empresários da Índia já estão montando um escritório no Brasil para tratar dos seus interesses. Além disso, prometeu que marcará uma reunião da CNI e das federações das indústrias e do comércio assim que chegar ao Brasil. Em entrevista, o presidente disse que seu objetivo foi abrir os olhos do empresariado. "Eu apenas fui honesto", justificou. "Chamei a atenção deles porque, nesse mundo globalizado, ou vamos à luta ou não vendemos tudo o que poderíamos vender."As trocas comerciais entre Brasil e Índia, atualmente, representam US$ 1,04 bilhão por ano, valor considerado muito baixo. "Ou nós acreditamos em nós e mudamos o jeito de fazer política ou vamos chorar na Organização Mundial do Comércio. Não dá para ficar parado nem na Índia nem no Brasil cobrando investimentos que as pessoas já sabem, de antemão, que o governo não tem", disse Lula.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.