Para CNBB, é preciso cuidar menos da economia e mais do social

Menos de um mês depois de pedir mudanças no governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva visando melhorar a área social do País, o presidente da Confederação Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) cardeal-arcebispo dom Geraldo Majella Agnelo voltou a cobrar mudanças radicais na economia. "É preciso mudar no sentido de atender prioritariamente os problemas sociais", disse hoje na capital baiana, preocupado com o aumento da miséria. Segundo dom Geraldo, a situação nunca esteve tão ruim no Brasil como agora. "Sempre existia muita pobreza, mas miséria como está hoje, não", reclamou, afirmando que "não há como (a população) apertar mais o cinto". "A condição para uma família sobreviver está no extremo da necessidade", avaliou. Perguntado sobre as providências que o governo deveria adotar, dom Geraldo foi claro: "Não se preocupar em primeiro lugar com a parte econômica, mas com as necessidades do nosso povo que tem sofrido demais", reafirmou. Por outro lado, o cardeal não aprova a pressão para a saída do ministro da Fazenda Antonio Palocci. "Não sei se essa pressão vai ajudar o governo a solucionar a situação, penso que não, pois confundir, tumultuar muito nessa hora não é possível".Sobre a renovação da promessa do presidente Lula de realizar a transposição do Rio São Francisco, dom Geraldo foi sucinto para manifestar sua posição contrária: "É como pegar um pessoa doente e usá-la para fazer uma transfusão de sangue", comparou. O presidente da CNBB defende que antes de se falar sobre a transposição, deve-se primeiro recuperar o Rio São Francisco.

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