Para CNBB, Bolsa Família estimula pessoa a não fazer nada

O presidente da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), cardeal-arcebispo D. Geraldo Majella Agnelo, afirmou nesta quinta-feira que o Bolsa Família é um programa assistencialista. "Quem está com fome deve receber seu alimento, mas não ficar assim, sendo estimulado a não fazer nada, ganhando R$ 60, R$ 80 por mês. Dê trabalho para todos", disse, assinalando que se programas como o Bolsa Família é "politicalha" para ganhar votos "é claro que não posso louvar".Ele qualificou o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva como o "mais submisso" aos banqueiros da história do Brasil. "Às vezes se faz comparação com outros governos, mas acho que nunca houve um tão submisso às condições impostas pelos credores do que esse atual governo", declarou nesta quinta-feira, constatando não haver "nenhum banco que foi à falência" no governo Lula.D. Geraldo é o terceiro dirigente da CNBB a criticar o governo esta semana, durante o lançamento da Campanha da Fraternidade. Na última quarta-feira o secretário-geral da entidade d. Odílio Scherer disse que Lula transformou o País num "paraíso financeiro" e o cardeal-arcebispo de São Paulo d. Cláudio Hummes classificou o pífio crescimento do PIB no ano passado como uma "surpresa desagradável". D. Geraldo garantiu que a CNBB não está fazendo oposição ao Planalto, mas apenas chamando a atenção para os problemas enfrentados pelo Brasil, principalmente na área social. Ele disse não poder pensar "que o Lula não queira bem ao Brasil, ele que vem do meio da pobreza", mas a CNBB está alertando o presidente há algum tempo: "Escuta, é urgente, precisamos melhorar a promoção humana e aí uma mudança na parte econômica precisa ser feita, não para privilegiar um grupo, mas aos que mais sofrem."

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