Para CNA, Dilma não vai interferir no Código Florestal

A presidente da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), senadora Kátia Abreu (DEM-TO), disse hoje acreditar que a presidente da República eleita, Dilma Rousseff, não interferirá no novo Código Florestal, que está para ser votado no Congresso. Às vésperas do segundo turno, Dilma se comprometeu a vetar itens polêmicos do novo documento, como a anistia aos desmatadores. "A presidente tem direito de vetar, mas tenho certeza absoluta de que agirá com o seu conhecido pragmatismo", afirmou.

CÉLIA FROUFE, Agência Estado

30 de novembro de 2010 | 17h38

Kátia salientou que a presidente eleita enfrentou vários problemas em relação a políticas de meio ambiente quando era ministra-chefe da Casa Civil. "Ela tem experiência do que significa radicalismo ou exagero", afirmou.

Durante entrevista coletiva para defender o relatório do novo Código produzido por Aldo Rebelo (PCdoB-SP), a presidente da CNA destacou que o documento já está fechado. "O relatório de Aldo Rebelo está muito pronto para ser votado no Congresso Nacional. Pode não ser o ideal, 100%, mas foi o possível e democracia é assim", afirmou a senadora.

Kátia rebateu críticas feitas ao projeto por ambientalistas nos últimos dias. "Essas críticas nos deixaram bastante assustados em relação à realidade do texto. Faltou atenção na hora fazer as críticas", acusou. Segundo ela, os cálculos apresentados não estão corretos. "Num País deste tamanho, ficamos brigando por conta de 5% de área", argumentou.

A representante dos ruralistas explicou também que, ao inverso do que dizem os contrários ao novo código, o relatório do Aldo está abrindo mão de preservação em áreas de quatro módulos que já foram desmatadas, mas não das áreas que ainda "estão em pé". "Se fomos atrás dessa anistia sobre a qual andam falando, vamos ver que se trata de um número mínimo", argumentou a presidente da CNA.

Ela disse que grande parte do desmatamento foi feita quando a lei ainda permitia essa atividade. "Lei é algo que não pode retroagir para atingir alguém que foi prejudicado. Da forma que colocam os críticos, parece que o Brasil inteiro foi desmatado na ilegalidade."

Além disso, segundo a presidente da CNA, a medida provisória (MP) que mantém o Código Florestal em vigor hoje passou por 67 mudanças ao longo do tempo. "O produtor tinha direito de ficar na dúvida, ou não?", questionou.

Votação

Kátia disse que havia expectativa de que o Código Florestal fosse votado por meio de um acordo que destrancasse as votações sobre o petróleo da camada pré-sal. "Mas possivelmente não haverá mais tempo", disse. De acordo com ela, há ainda 50% de chance de o projeto ser apreciado pelo Congresso apenas no ano que vem. "O que está acontecendo é que empurramos um problema nacional adiante."

A senadora afirmou que não se tratava de uma ameaça, mas disse que o Brasil, aos olhos internacionais, está produzindo comida ilegalmente. "Isso pode trazer transtorno no comércio exterior. Quem fez suas leis, que as embale", concluiu.

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