Para Ciro Gomes, reclamação de viagem é 'bobagem'

'Não se justifica que você restrinja a caminhada de qualquer agente público', disse o deputado

Carmem Pompeu, da Agência Estado,

20 Outubro 2009 | 16h05

O deputado Ciro Gomes (PSB) classificou de "bobagem" o fato de a oposição querer questionar os custos da viagem realizada semana passada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva pelas obras do Rio São Francisco. "Eles estão muito perdidos. É uma coisa curiosa. O (José) Serra, governador de São Paulo, passa o tempo viajando nas obras dele em São Paulo. Leva quem ele quer. Faz reunião em Goiás. Faz reunião em Minas. Faz reunião não sei aonde. Como governador de São Paulo, vem ao Ceará. Eu acho que é tudo uma bobagem", disse Ciro, na manhã desta terça-feira, em entrevista ao Estado, depois de proferir palestra num encontro de gestão pública, no Hotel Vila Galé, em Fortaleza.

 

A declaração foi uma resposta ao vice-líder do PSDB, senador Álvaro Dias (PR). O tucano afirmou ontem (19) que os partidos oposicionistas também devem consultar a Justiça Eleitoral sobre a possibilidade de ter havido antecipação de campanha eleitoral, uma vez que Lula estava acompanhado por dois pré-candidatos à Presidência: Ciro e a ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff. "Não se justifica que você restrinja a caminhada de qualquer agente público, desde que não haja malversação dos recursos e nem das responsabilidades.O que definitivamente não aconteceu", rebateu o deputado do PSB.

 

Ciro também relatou uma conversa que teve durante um jantar com Lula no qual o presidente lhe manifestou a vontade de que as eleições de 2010 fossem plebiscitárias. Posição com a qual, o parlamentar diz não concordar. "Nós explicitamos nossas posições num jantar: eu, a Dilma, o Lula e o Eduardo Campos, a direção do PT, a direção do PSB. O presidente Lula disse que, sem querer ser dono da verdade, naquele momento, imagina que o ideal é um plebiscito. Nós todos juntos numa candidatura só. E nós fazemos uma avaliação de que não é bom; que não vale a pena correr esse risco e queremos que ele acredite, que o melhor para nós é fazermos duas candidaturas", comentou Ciro.

 

Ele disse considerar natural o fato de Lula apoiar Dilma. "Eu não tenho nenhuma queixa, nenhuma restrição. Não é nada de anormal. Eu apenas quero que ele reconheça, e ele faz sempre com muita generosidade, que eu sou parceiro, que eu tenho compromisso com os valores centrais, que eu ajudei a construir esse projeto. E o povo resolve", afirmou Ciro.

 

Agora, se a base aliada vai largar com uma ou duas candidaturas isso é uma coisa que só o tempo dirá, segundo Ciro. De acordo com ele, as pesquisas de intenção de voto serão um dos instrumentos de aferição.

 

"Mas nós somos protagonistas do processo. Evidentemente que se pesquisa fosse em si o único elemento, não haveria mais disputa. E a opinião pública pode mudar. Nós temos a responsabilidade de qualificar o debate", destacou.

 

Ciro reafirmou sua disposição em não sair do páreo e disse que a dele é a única candidatura a presidente posta até o momento. "A única candidatura definida, naquilo do que é possível uma definição que é a intenção, é a minha. A Dilma diz que é cedo, que vai olhar, que não sei o quê. O Serra diz que é cedo, que vai olhar. O Aécio diz que é cedo e que vai olhar. Só eu é que não tenho verniz para passar no rosto e que digo que quero ser candidato. Agora, se vou ser ou se não vou ser é andar da carruagem é que vai definir", finalizou.

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