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Para Chomsky, sem-terra têm o movimento mais animador do mundo

Aguardado como grande estrela do Fórum Social Mundial, o lingüista norte-americano Noam Chomsky não decepcionou as 18 mil pessoas que lotavam o Gigantinho para ouvi-lo, ao lado da escritora indiana Arundathi Roy, falar sobre estratégias para enfrentar o império, no caso, os Estados Unidos, e considerou o Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem-Terra (MST) um exemplo de alternativa ao modelo de Washington. "É o movimento mais animador do mundo", discursou, um dia depois de visitar uma vila rural tida como exemplo de assentamento agrário em Charqueadas, a 63 quilômetros de Porto Alegre.Segundo Chomsky, ações locais construtivas e solidárias são uma das formas de deter um império que não quer tolerar diversidade. O lingüista disse que há exemplos generosos também em outros países, como a Turquia e a Colômbia, mas lamentou que naqueles países ocorram atrocidades cometidas com armas vendidas pelos Estados Unidos.Sob aplausos da platéia, Chomsky criticou o belicismo do governo dos Estados Unidos e da Inglaterra diversas vezes e lamentou a simpatia do governo italiano à guerra. Mas avisou que por pesquisas e manifestações dos últimos meses, é seguro que a opinião pública de todos os países é contrária a um ataque contra o Iraque.O discurso de Arundathi Roy seguiu a mesma linha. Ela propôs que o mundo desmascare George Bush e Tony Blair e que detenha suas resoluções com o uso da arte e da alegria. "Podemos zombar deles", disse. "A resolução corporativa vai entrar em colapso se não comprarmos aquilo que eles vendem", proclamou, pedindo que a platéia levasse às suas bases a rejeição às idéias, às armas e à noção de inevitabilidade do neoliberalismo e da guerra.O líder cocalero boliviano Evo Morales cancelou sua participação na mesma conferência do Fórum Social Mundial para ficar perto dos manifestantes que desde 13 de janeiro tentam bloquear estradas e enfrentam o exército e a polícia. Mas enviou carta denunciando a morte de nove manifestantes por balas do exército e de outros 11 num acidente numa passeata de aposentados. Lembrou que a morte de um jovem em Gênova teve grande destaque da imprensa internacional e a dos 20 bolivianos nem foi mencionada para pedir o rompimento do que chamou de "cerco da imprensa internacional".Em seu texto, Morales relatou que os movimentos populares bolivianos tentam dialogar há cinco meses com o governo sem obter respostas. "Não estamos pedindo mais do que nos corresponde e nem queremos caridade e nem ajuda para o desenvolvimento", lembrou Morales, para afirmar que a luta popular é contra a entrega do gás às multinacionais, a privatização da água e o fim do latifúndio. Morales defendeu, ainda, a cultura da coca, "símbolo da comunidade e da solidariedade andinas" e culpou o sistema capitalista "inumano e decadente", e não a cultura popular, pela drogadição de pessoas.Veja o especial sobre os Fóruns de Davos e Porto Alegre

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