Para Chávez, Lula é ?amigo de verdade?

Elogios ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva e declarações de otimismo sobre a nova situação na Venezuela marcaram o discurso do presidente venezuelano, após o encontro entre os dois no Recife. Ele chamou Lula de "amigo de verdade" e Chávez agradeceu a compreensão do presidente brasileiro e do chanceler Celso Amorim, em relação aos problemas da Venezuela. Segundo ele, seu maior desafio são "as desinformações e mentiras" ditas a seu respeito, que percorrem o mundo. Referindo-se à recente crise venezuelana, quando a oposição paralisou o país por mais de quatro meses, Chávez agradeceu a iniciativa de Lula de trabalhar pela formação de um grupo de países Amigos da Venezuela e de enviar a Caracas um navio da Petrobrás com meio milhão de litros de gasolina. "Quando não tínhamos nem uma gota de combustível". Chávez descreveu a atual situação de seu país como "radicalmente diferente" da que existiu durante o período que chamou de "pregação de golpe de Estado e guerra civil" e de tentativa da oposição de "derrubar o governo legitimamente constituído, parar a educação, as fábricas, toda a economia e os hospitais e sabotar toda a indústria petrolífera". Segundo Chávez, a Venezuela hoje "respira um clima de tranqüilidade, há melhoria notável no ambiente político." Como exemplo, disse que agora a Venezuela já está produzindo 3,3 milhões de barris de petróleo"e recuperou a estatal PDVSA (Petróleo da Venezuela S.A) depois de demitir 17.000 técnicos acusados de sabotagem. "O governo está no pleno controle da PDVSA, que era um Estado dentro do Estado. Queriam que caísse o governo, mas quem caiu foi uma República dentro do Estado." O presidente da Venezuela disse que são "transitórias" medidas que adotou, como "o controle de câmbio para combater a fuga de capitais e o controle de preços da cesta básica de alimentos e medicamentos." Segundo o presidente, as reservas internacionais da Venezuela "estão de novo em mais de US$ 15 bilhões, e a inflação, em março, foi de 0,8%".PermanenteChávez defendeu o Brasil como integrante permanente do Conselho de Segurança da Organização das Nações Unidas (ONU). Depois de relatar que ele e o presidente brasileiro haviam conversado sobre a situação do Iraque, após a invasão desse país pelos Estados Unidos. Ele disse que ambos concordaram sobre a necessidade de uma reforma da ONU, "sobretudo pela ampliação do Conselho de Segurança das Nações Unidas". Na interpretação de Chávez, "os que ganharam a Segunda Guerra Mundial têm aí (na ONU) o poder de veto, que agora desmoronou com a decisão dos EUA de ir à guerra (sem o endosso do Conselho de Segurança)". Ao afirmar que seu governo apóia "a incorporação do Brasil como membro permanente do Conselho, Chávez declarou: "Os 23 milhões de venezuelanos se sentirão plenamente representados pelo Brasil."

Agencia Estado,

25 de abril de 2003 | 17h46

Encontrou algum erro? Entre em contato

Tendências:

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.