FABIO MOTTA/ESTADAO.
FABIO MOTTA/ESTADAO.

Para Cesar Maia, não há 'nenhuma' chance de ruptura entre o DEM e o governo

Pai do presidente da Câmara, ex-prefeito do Rio defende candidatura do filho para deputado e segundo mandato na chefia da Casa

Isadora Peron, O Estado de S.Paulo

17 de outubro de 2017 | 15h33

BRASÍLIA - Apesar dos desentendimentos públicos da última semana, o vereador do Rio Cesar Maia afirmou que não há “qualquer dificuldade” entre o presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), e o presidente Michel Temer. Segundo ele, não há “nenhuma” chance de o filho e o DEM romperem com o governo neste momento. O vereador diz ainda que a segunda denúncia apresentada contra Temer não será aprovada na Câmara. Sem citar o nome do filho, primeiro na linha sucessória caso o peemedebista seja afastado do cargo, o ex-prefeito do Rio afirma que quem assumir a Presidência nessas condições ficaria “sem autoridade” até que o Supremo Tribunal Federal (STF) concluísse o julgamento do caso. Nesta entrevista concedida ao Estado, Cesar Maia também nega que o DEM tenha tentado se aproximar do prefeito de São Paulo, João Doria (PSDB), e diz que a classe política está “chocada” com a postura que Doria tem tido com o seu padrinho político, o governador Geraldo Alckmin.

Na última semana, houve dois enfrentamentos diretos entre Maia e o Palácio do Planalto. De onde vem o descontentamento do presidente da Câmara com Temer?

Não sinto qualquer dificuldade entre o presidente Temer e o presidente da Câmara.

Há alguma chance de Maia e o DEM romperem com o governo?

Nenhuma.

Como o senhor avalia a segunda denúncia apresentada contra Temer que tramita na Câmara?

Não tem chance nenhuma de passar. Qual é a alternativa? Por 180 dias você tem um “não” presidente, porque o Supremo ainda vai julgar, o nome que assumir vai ficar sem autoridade. As pesquisas mostram que a população não quer que o Temer saia agora. Se a opinião pública difusa não quer isso, imagina os políticos.

Quais são os planos do seu filho para o ano que vem? Ele deve disputar o governo do Rio?

Ele não deve ir, não pode ir. A próxima Câmara dos Deputados vai ser muito diferente da atual? Não. É um ciclo que não termina em 2018, então você precisa de um chefe que consiga administrar esse processo, e com a situação favorável, que é um presidente legitimado pelo voto. O que cabe a ele é fazer uma boa campanha de deputado e ser candidato à presidência da Câmara.

Como foi essa aproximação entre o DEM e o prefeito de São Paulo, João Doria?

Nunca houve.

E o jantar que houve com o prefeito em São Paulo?

O Doria programou o jantar. Todo mundo ficou perplexo com a forma afirmativa que o Doria se colocava candidato a presidente da República. A lealdade é uma espécie importante de valor importante na política. A pressão do Doria ao Alckmin chocou os chamados políticos sêniores.

O DEM não planeja ter candidato próprio à Presidência em 2018?

Quando você é de um partido pequeno, você topa o risco de construir um personagem durante a campanha eleitoral, mas, em um partido grande, que coloca em risco mandatos de deputados, tem que construir um personagem. E o DEM ainda não construiu esse personagem. Hoje o Rodrigo (Maia) é candidato a deputado federal. Pré-candidato, se ele for eleito, a presidência da Câmara. Ronaldo Caiado (DEM-GO) que já pensou nisso, agora está entusiasmado com o governo de Goiás. O ACM Neto (prefeito de Salvador), que está estourando a boca do balão na Bahia, olha para frente, não para essa eleição. Então hoje você não tem nome, mas pode surgir.

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