HÉLVIO ROMERO/ESTADÃO
HÉLVIO ROMERO/ESTADÃO

Para centro que estuda política externa do Brasil, impeachment abala relações de forma 'isolada'

Rafael Benke, presidente de conselho do Cebri, recomenda "serenidade de todas as partes" nas relações diplomáticas

Daniela Amorim, O Estado de S.Paulo

15 Maio 2016 | 16h07

RIO - As relações diplomáticas e econômicas entre o Brasil e países que rejeitam o afastamento da presidente Dilma Rousseff poderão ser abaladas pelo processo de impeachment, mas serão casos isolados e passíveis de reversão mais adiante. A avaliação é de Rafael Benke, presidente do Conselho Curador do Centro Brasileiro de Relações Internacionais (Cebri). Em entrevista ao Estado, Benke recomenda "serenidade de todas as partes".

"Pode ser que haja algum agravamento na troca com um país ou outro, mas que sejam apenas casos isolados e que haja normalização ao se atingir a compreensão das circunstâncias", opinou.

Na sexta-feira passada, o novo ministro das Relações Exteriores, José Serra, divulgou notas de repúdio a declarações de países da América Latina e do secretário-geral da União das Nações Sul-Americanas (Unasul), Ernesto Samper, que criticaram o processo de impeachment que levou ao afastamento da presidente Dilma Rousseff (PT) e a ascensão do vice Michel Temer (PMDB) a presidente da República em exercício.

Nas notas, o Ministério das Relações Exteriores cita a Unasul e os governos da Venezuela, Cuba, Bolívia, Equador e Nicarágua. Um dos documentos afirma que Samper apresentou argumentos errôneos, que "deixam transparecer juízos de valor infundados e preconceitos contra o Estado brasileiro. Além disso, transmitem a interpretação absurda de que as liberdades democráticas, o sistema representativo, os direitos humanos e sociais e as conquistas da sociedade brasileira se encontrariam em perigo".

Na segunda nota, o Itamaraty declara que "rejeita enfaticamente as manifestações dos governos da Venezuela, Cuba, Bolívia, Equador e Nicarágua, assim como da Aliança Bolivariana para os Povos de Nossa América (Alba), que se permitem opinar e propagar falsidades sobre o processo político interno no Brasil". "É um tom forte em resposta a um tom certamente forte e invasivo", observou Benke.

Quanto às críticas dos países da América Latina ao impeachment, o Cebri classifica como inapropriadas e vê ingerência sobre um processo institucional que ainda está em andamento no País. "É um grau de ingerência forte e não apropriado pelo tom e conteúdo, sobretudo sobre um processo que ainda está em curso", disse o presidente do Conselho Curador.

Benke alerta que o processo de impeachment é complexo e, embora seja um assunto doméstico, é necessário dar transparência e passar informações à comunidade internacional. "O processo de impeachment é complexo e se faz necessária uma ação diplomática ampla para que se traga transparência em relação ao mesmo junto à comunidade internacional", afirmou.

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