Para Carvalho, Dilma enfrenta 'tentativa de terceiro turno'

'O que está em jogo é a tentativa de impedir que essa lógica de colocar o Estado aberto à sociedade de maneira participativa não pode continuar', afirmou o ministro-chefe da Secretaria-Geral da Presidência durante a Conferência Nacional de Educação

Rafael Moraes Moura, O Estado de S. Paulo

19 de novembro de 2014 | 22h28

Brasília - O ministro-chefe da Secretaria-Geral da Presidência, Gilberto Carvalho, afirmou nesta quarta-feira, 19, que a presidente Dilma Rousseff está enfrentando depois das eleições uma "tentativa de terceiro turno", em que o que está em jogo não é o mandato dela, e sim uma tentativa de impedir a lógica de um Estado "aberto à sociedade de maneira participativa".

"É natural que setores da elite brasileira se coloquem contra essa perigosa forma de abrir os governos, os ministérios, enfim, (contra) abrir a forma de governar para a participação social, porque ela traz o anseio de setores oprimidos, excluídos historicamente, em busca de igualdade", discursou o ministro, durante a abertura da Conferência Nacional de Educação, em Brasília.

Na fala, Carvalho reiterou o apoio do governo ao decreto que institui a política nacional de participação social, alvo de críticas da oposição no Congresso. Dois dias depois da vitória da presidente Dilma Rousseff nas urnas, a Câmara dos Deputados aprovou projeto que suspende os efeitos do decreto, e o presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), já disse que a matéria também deverá ser derrubada na Casa.

"Toda reação à participação social, toda reação ao projeto que hoje promove a igualdade no País, é uma reação contra uma lógica que nós iniciamos desde 2003 de uso do aparelho de Estado, de mudança de lógica de funcionamento do aparelho de Estado, em que antes a elite dominava e as migalhas eram dadas aos pobres", comentou Carvalho.

Para o ministro, o debate eleitoral de outubro focou "claramente" essas duas lógicas - a de um Estado voltado para os pobres e a de um Estado a serviço da elite.

"E é por isso também que continuamos, depois das eleições, enfrentando uma tentativa de terceiro turno. O que está em jogo - não sejamos ingênuos - não é o mandato da presidente Dilma, não é ameaça de impeachment, o que está em jogo é a tentativa de impedir que essa lógica de colocar o Estado aberto à sociedade de maneira participativa não pode continuar", disse Carvalho, sendo aplaudido de pé pelo público.

Reforma ministerial. Depois de falar na conferência, Carvalho foi questionado por jornalistas sobre quando deverá ser feito o anúncio do novo ministro da Fazenda. O ministro destacou que a presidente tem tratado do tema "muito reservadamente" e ressaltou que qualquer nome especulado é um mero "chute".

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