Para Cármen Lúcia, palavra crise está 'desmoralizada'

Ministra do Supremo falou sobre o tema durante evento na Associação de Advogados de São Paulo (AASP), no centro da capital paulista

André Ítalo Rocha, O Estado de S. Paulo

19 Outubro 2015 | 15h53

São Paulo - A ministra do Supremo Tribunal Federal (STF) Cármen Lúcia afirmou nesta tarde que, para ela, a palavra "crise" está desmoralizada, ao se referir ao atual momento político e econômico do País. "Desde criança eu ouço que o Brasil está em crise, então, para mim, essa palavra está desmoralizada", disse, durante evento na Associação de Advogados de São Paulo (AASP), no centro da capital paulista.

Em seguida, ela lembrou uma conversa em que um dos assessores do ex-governador de Minas Gerais Tancredo Neves lamentou a falta de dinheiro para governar e reclamou de uma suposta crise. Segundo Cármen Lúcia, Tancredo teria respondido: "Se houvesse dinheiro e estivesse tudo bem, não teria razão de ter alguém para administrar".

A ministra também comentou a cobrança dos cidadãos brasileiros para que a Justiça seja mais rápida em suas decisões e admitiu que não consegue dar conta dos processos que estão em seu gabinete para análise. "Mas a Justiça é urgente. Sei que é meu dever fazer o que não consigo para dar conta. E mais, nunca se teve tanta pressa. As pessoas não aguentam mais esperar por um Estado que não dá uma resposta pronta para todos os brasileiros", disse.

Cármen Lúcia fez ainda elogios à Constituição brasileira e disse que as qualidades da Carta "superam em muito" os seus defeitos. "Nossa constituição não é perfeita, mas nenhuma constituição é perfeita. É uma boa constituição, que se faz necessária nesse momento de transição de agruras para grandes possibilidades. Se a cumprirmos, corremos o sério risco de entrar em uma democracia permanente e exemplar", afirmou. Segundo ela, existem 954 propostas de emenda à Constituição que tramitam no Congresso Nacional.

A ministra disse também que é mais difícil ser um juiz no Brasil do que na Alemanha ou na Finlândia porque, segundo ela, a sociedade brasileira é mais plural. "O juiz tem de ser o mesmo para o empresário paulista que anda de helicóptero e para o cidadão que mora em Altamira (no Pará) e tem de andar a pé durante dois dias para ter atendimento médico", declarou.

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