Jonne Roriz/AE
Jonne Roriz/AE

Para candidatos, cada bairro é uma cidade

Com disputa acirrada, campanhas acreditam que a votação não será homogênea dentro dos distritos e prometem propostas locais e gerais para tentar ganhar o eleitorado em todas as regiões de SP

Bruno Boghossian, Bruno Lupion, Felipe Frazão, Isadora Peron e Ricardo Chapola

18 de agosto de 2012 | 14h00

Com seus 1.522,98 km² de área e cerca de 91 mil vias, a cidade de São Paulo tem tantas facetas que cada bairro parece mais uma cidade. É como se fossem pequenos municípios dentro do município. E para aumentar ainda mais esse mosaico paulistano, nem mesmo os limites da cidade são assim tão certos - para se ter ideia, o Ibope usa uma divisão de setores censitários que é diferente da divisão de distritos da Prefeitura, que é diverso das áreas distritais utilizadas pela Secretaria de Saúde, e por aí vai.

É com o espírito de atuar em todas as "São Paulos" possíveis que os candidatos à Prefeitura da capital prometem encarar a campanha municipal. Pelo menos no discurso. O início até que foi cauteloso - em sua estreia eleitoral, o candidato do PT, Fernando Haddad, concentrou suas agendas em redutos petistas no extremo leste ou sul da capital, onde historicamente a sigla conquista mais votos, enquanto o veterano José Serra (PSDB) apostou na chamada "área volátil", na fronteira entre o centro expandido, tradicionalmente tucano, e a periferia.

Já com seis semanas de corpo a corpo, no entanto, as caravanas de Serra, Haddad e de Celso Russomanno (PRB) visitaram mais de 25 bairros cada uma, em todas as regiões. Ao serem questionados sobre quais estratégias usam para conquistar o voto em bairros como Capela do Socorro e Pirituba, onde não há uma definição clara sobre a opção do eleitorado, eles afirmam não fazer distinção dos distritos por número de votos e prometem que vão percorrer, da mesma maneira, toda a cidade, sem dar preferência para um ou outro local. As propostas também seguem a lógica de investir em temas que são caros em todos os bairros, como transporte, trânsito e saúde - áreas apontadas pelo paulistano como as principais demandas da capital.

"Há, de fato, na capital, distritos mais favoráveis a um ou outro partido, com comportamento eleitoral similar, eleição após eleição. Mas, quando se olha os resultados por local de votação, o que se observa é que há grande variação de comportamento dentro desses ditos distritos 'voláteis'", diz a equipe de campanha de José Serra. "Há locais que votam mais em candidatos de um determinado partido e locais, no mesmo distrito, que votam em candidatos de outro partido. Ou seja, a votação não é homogênea. E nos distritos 'voláteis' menos ainda." Para tentar obter representatividade em todos os bairros, Serra vai participar, até outubro, de 31 encontros regionais, cada um reunindo pessoas de cerca de 3 distritos.

Russomanno também afirma não ter estratégias específicas de ação nos bairros com preferências eleitorais indefinidas. Seu plano de ação, diz, é baseado em problemas de cada região. "A nossa estratégia foi elaborada sobre uma micropesquisa que fizemos com 6,4 mil pessoas, identificando os problemas de cada região", afirma. "Nós não estamos trabalhando em cima do voto, se o voto é de um candidato ou de outro. À medida que vou ouvindo os problemas, minha equipe vai anotado, e aí vamos trabalhando em cima do que as pessoas falam."

Para tornar seu nome mais conhecido e tentar conter o avanço de Russomanno, Haddad também tem saído de sua "zona de conforto" na periferia. "A campanha do PT à Prefeitura visita todas as regiões da cidade, conhecendo os problemas de cada bairro e apresentando propostas para cada um dos eixos da administração municipal", diz o petista. "Nesse sentido, não são privilegiadas determinadas regiões ou adotadas estratégias específicas para cada uma delas." O candidato afirma que tem percorrido a cidade desde o começo do ano e, com o apoio do diretório municipal, tem organizado as visitas às regiões das 31 subprefeituras da cidade. "Essas visitas são importantes também para o candidato ter contato com os eleitores, mas não são determinantes do voto - o que definirá a escolha de cada cidadão será a apresentação das melhores propostas para governar São Paulo."

Estratégias. Questionado pelo Estado, o peemedebista Gabriel Chalita diz que não fala das estratégias para conquistar o voto do paulistano. A agenda do candidato se concentrou, até o momento, na zona sul, mas ele também tem visitado bairros na região norte e central. A candidata do PPS, Soninha Francine, afirma dar preferência a compromissos em lugares onde é menos conhecida, segundo ela, "para ouvir as pessoas, tirar dúvidas e aperfeiçoar propostas". Já Paulinho da Força (PDT) tem apostado na aproximação com os bairros da periferia, por meio de atividades pouco convencionais, como partidas de futebol. "Todos os finais de semana jogo futebol em bairros afastados. Percebo que, com o esporte, os moradores ficam mais à vontade para falar sobre seus problemas e indicar soluções."

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