Para Campos, governo só dá prioridade à segurança na Copa

Pré-candidato do PSB visita ONG em favela do Rio e critica governo federal por ‘omissão’ no combate à violência

Luciano Nunes Leal, O Estado de S. Paulo

03 Junho 2014 | 17h03

Rio - O pré-candidato do PSB à Presidência da República, Eduardo Campos, afirmou nesta terça-feira, 3, na favela de Vigário Geral, zona norte do Rio, que o governo federal não pode dar atenção à segurança pública apenas em eventos internacionais, como a Copa, que começa na próxima semana.

“O governo federal corre desse tema da segurança, se omite. Não coloca recursos com o pacto federativo para formar um Sistema Nacional de Defesa Social e Segurança Pública em que todos contribuam para reduzir a sensação de medo da sociedade”, afirmou o ex-governador de Pernambuco, depois de uma visita de pouco mais de uma hora ao Centro Cultural AfroReggae. O grupo foi criado logo após a chacina de Vigário Geral, em 1993, que matou 21 pessoas da comunidade. “Não pode ter sistema (de segurança) só quando tem Copa do Mundo”, disse.

Campos definiu o AfroReggae como “uma bela experiência de como uma cultura pode salvar vidas”. Entre outras atividades, o grupo desenvolve um programa de inserção social de ex-presidiários e de resgate de jovens que trabalham para o crime organizado. Vigário Geral não está entre as 38 áreas do Rio que já receberam Unidades de Polícia Pacificadora (UPP).

O ex-governador defendeu a criação de um Sistema Nacional de Segurança Pública que integre União, Estados e municípios, nos moldes do que há em assistência social e saúde. A Constituição define segurança como responsabilidade dos Estados, mas a oposição cobra mais ações da União. O governo, por sua vez, alega ajudar os Estados com repasses.

Fronteiras. Ao citar que a droga é uma das grandes responsáveis pelo crescimento da violência, Campos defendeu que “o primeiro enfrentamento tem que ser da União”. “O efetivo da Polícia Federal nas fronteiras foi reduzido nos últimos anos.”

Ao contrário do pré-candidato do PSDB, Aécio Neves, Campos disse que não pensa em criar um Ministério da Segurança Pública. O tucano defendeu a inclusão da “Segurança Pública” no nome oficial do Ministério da Justiça.

Campos estava acompanhado da pré-candidata a vice Marina Silva. Ele viu apresentações de grupos de música, dança e teatro e tentou aprender a manejar uma mesa de som com o DJ Nino Leal, professor do AfroReggae.

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