Para Brindeiro, investigação sobre Maluf é federal

O procurador-geral da República, Geraldo Brindeiro, reagiu ao ofício encaminhado pelo advogado-geral da União, Gilmar Mendes, atribuindo ao município de São Paulo a responsabilidade de contratar um escritório de advocacia para auxiliar o Ministério Público no bloqueio de US$ 200 milhões das contas do ex-prefeito Paulo Maluf e seus familiares, que estariam depositadas na Ilha de Jersey. "Como há indícios de lavagem de dinheiro, evasão de divisas e sonegação de impostos, todos crimes federais, e como é do interesse do País, e não dos municípios, combater esse tipo de crime, como já disse o próprio Superior Tribunal de Justiça, não cabe a nós contratar advogados. É o governo brasileiro que tem de fazer isso, ou seja, a contratação de advogados é da responsabilidade da AGU", diz. Brindeiro, que está batendo de frente com Gilmar Mendes, afirmou que não vai procurá-lo. "Já conversei por meio de ofício e não precisa de dizer mais nada", disse, irritado. "Da nossa parte estamos fazendo o que se deve fazer, assim como fizemos no caso do TST", prosseguiu ele, lembrando que a presidente do Coafi, Adriane Senna, concorda com ele. "Do nosso ramo de responsabilidade, já tomamos todas as providências, mas contratação de advogados é da alçada da AGU", reiterou o procurador acentuando que não pode fazer nada além de apresentar solicitação.O procurador salientou ainda que, a respeito da alegação de Gilmar Mendes, de que os recursos são municipais e que portanto não cabe à União contratar um advogado, "não é bem assim". "Não se pode ignorar o fato de que os municípios recebem fundos federais como o FPM e SUS. Como é que se vai saber de onde saiu o dinheiro, se os recursos são ou não municipais, se ele não é carimbado?" Brindeiro garantiu que o Ministério Público cumpre seu papel e já está cumprindo. "Mas não acabe a nós contratar advogados", insistiu.

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