Para brasilianistas, desigualdade enfraquece crescimento

Especialistas ouvidos pela BBC Brasil apontam ainda para melhoria da educação como chave para desenvolvimento.

Rogerio Wassermann, BBC

28 de setembro de 2010 | 07h15

O Brasil precisa resolver o problema da desigualdade social e melhorar a qualidade da educação pública para poder atingir um nível de desenvolvimento de país rico, na avaliação de acadêmicos consultados pela BBC Brasil como parte da série 'O Que Falta ao Brasil?' que discute os desafios do país para se tornar uma nação desenvolvida.

"A desigualdade é o maior problema, porque ela enfraquece o crescimento econômico, leva a altos níveis de criminalidade e insegurança, e força o país a gastar seus escassos recursos com polícia e prisões", afirma o americano Barry Ames, diretor do departamento de ciência política da Universidade de Pittsburgh e especialista em Brasil no Centro de Estudos Latino-Americanos da instituição.

Para Ames, programas como o Bolsa Família não são suficientes para mudar a situação significativamente. Ele defende uma posição mais ativa do governo para resolver o problema.

"No atual clima econômico mundial, a organização sindical não é capaz de levar a aumentos significativos nos salários reais, e o Brasil ainda está muito atrasado nas melhorias na qualidade da educação de massa para fazer uma diferença verdadeira", afirma.

"O Brasil não pode resolver seus problemas de desigualdade pelas forças do mercado ou institucionais, então seu governo precisa aumentar sua capacidade burocrática ao mesmo tempo em que reduz a corrupção e o clientelismo", diz.

Recursos intelectuais

O espanhol Gonzálo Gómez Dacal, diretor do Centro de Estudos Brasileiros da Universidade de Salamanca, a "melhoria substancial" da educação primária e secundária públicas é necessária para "colocar em produção os recursos intelectuais de toda a população".

"Uma grande parte da população não chega, apesar do talento, à formação superior", comenta. Para ele, se isso ocorresse, o país se beneficiaria "da capacidade de criação das pessoas inteligentes que formam parte das camadas mais desfavorecidas da população".

Em sua avaliação, para conseguir enfrentar o desafio da melhoria da educação pública no país, é necessário também "tornar mais equitativa a distribuição da riqueza e as condições de bem-estar social e material dos cidadãos".

Para Detlef Nolte, professor da Universidade de Hamburgo e diretor do Instituto de Estudos Latino-Americanos da GIGA (German Institute of Global and Area Studies), "reduzir a diferença entre os ricos e os pobres ainda é o maior desafio para o Brasil se tornar uma nação realmente desenvolvida".

No campo político, Nolte diz que o Brasil já se tornou uma força importante no campo internacional, mas deveria no futuro ter uma posição mais ativa na mediação de conflitos na América do Sul e bancar uma maior parcela dos custos da integração regional.

"Com isso, o papel de líder da região se tornará mais aceitável para seus vizinhos", afirma.BBC Brasil - Todos os direitos reservados. É proibido todo tipo de reprodução sem autorização por escrito da BBC.

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.