Para Bolívia, declarações de Serra são 'irresponsáveis'

Dilma Rousseff afirma que declaração de Serra não condiz com postura de estadista

ARIEL PALACIOS e EVANDRO FADEL, Agência Estado

28 Maio 2010 | 12h53

"Irresponsáveis" e "político-eleitorais" foram as expressões utilizadas hoje pelo Ministério da Relações Exteriores da Bolívia para definir as declarações dadas pelo candidato do PSDB à Presidência, José Serra, que afirmou nesta semana que o governo boliviano poderia ser cúmplice do contrabando de cocaína para o Brasil. Segundo a chancelaria boliviana, as declarações do tucano foram "desaprensivas" (palavra usada para ''irresponsáveis'', ''imorais'' ou ''inescrupulosas''), pois "fariam alusão a nosso país em relação ao tráfico ilegal de drogas".

A diplomacia boliviana indicou que "rejeita enfaticamente as declarações". Segundo a chancelaria em La Paz, as afirmações do presidenciável tucano poderiam "ser atribuídas provavelmente à intenções político-eleitorais de absoluta incumbência de sua candidatura".

Mas segundo a chancelaria, "como tais afirmações não refletem a realidade, o Ministério das Relações Exteriores manifesta que os governos da Bolívia e do Brasil estão realizando ações conjuntas na luta contra o flagelo do narcotráfico, no marco da Segunda Estratégia de Cooperação entre a polícia da Bolívia e o Departamento da Polícia Federal (PF) do Brasil, conforme a responsabilidade compartilhada que existe neste assunto".

No comunicado, a chancelaria boliviana sustenta que o governo em La Paz "ratifica o compromisso assumido de luta contra o tráfico ilícito de drogas, o mesmo que se reflete através dos resultados obtidos, em coordenação com os organismos internacionais especializados no assunto".

A pré-candidata do PT à Presidência da República, Dilma Rousseff, também criticou as declarações. Ela insistiu hoje, em Chapecó, no oeste de Santa Catarina, que não é atitude de estadista atribuir responsabilidade ao governo boliviano pela produção e tráfico de cocaína. “Um estadista não faz isso”, afirmou. “Incriminar um governo é diferente de dizer que da Bolívia vem droga.”

De acordo com Dilma, a Polícia Federal e o Ministério da Justiça estão colaborando “intensamente” com a Bolívia. Ela disse ter conversado anteontem (27) com o ministro da Justiça, Tarso Genro, que informou sobre uma atuação conjunta que culminou com o fechamento de uma fábrica de cocaína, o que há muito tempo não acontecia na Bolívia. “É preciso que haja conversa entre os ministérios da Justiça”, propôs. E repetiu: “É prudente não atribuir, sem informações e provas, responsabilidades ao governo boliviano, não é papel de um estadista fazer isso.”

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