Para Berzoini, queda de portaria não abate reforma sindical

O ministro do Trabalho, Ricardo Berzoini, disse, nesta quinta-feira, não ver nenhuma relação entre a decisão do Senado na semana passada, de derrubar via decreto parlamentar a Portaria 160 de seu Ministério, e uma provável desmoralização da proposta de reforma sindical, cujo texto está em análise na Casa Civil para ser remetido ao Congresso Nacional.A portaria cassada proibia sindicatos de cobrarem contribuições de trabalhadores não sindicalizados, a não ser com prévia autorização do empregado. Para especialistas da área trabalhista, além de moralizar a cobrança de tributos sindicais, a Portaria abria espaço para negociações e aceleração da reforma sindical no Congresso, já que o texto a ser remetido ao Legislativo trata detalhadamente a forma de financiamento dos sindicatos."A Portaria 160 é um procedimento administrativo e o Senado tem a autonomia, do ponto de vista democrático, para tomar decisões sobre essa matéria", argumentou o ministro. "O que achamos importante é coibir os abusos e vamos continuar trabalhando para isso", complementou.Berzoini também negou, mais uma vez, ter declarado que a reforma trabalhista, prevista para ser concluída até o final de 2005, estaria sepultada. "O que dissemos é que existe um prazo curto para se fazer todo o trabalho", alegou.Segundo o ministro, uma equipe de trabalho formada por empresários e centrais sindicais, com mediação do governo, se reúne semanalmente para discutir a reforma trabalhista e tentar "encontrar consensos". "Se conseguirmos encontrar consensos a tempo de votar nessa legislatura, encaminharemos ao Congresso Nacional. Mas não queremos forçar consensos que devem ser construídos com bases sólidas, ou seja, a partir do entendimento político entre trabalhadores e empresários", explicou.

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