Fabio Rodrigues Pozzebom|Agência Brasil
Fabio Rodrigues Pozzebom|Agência Brasil

Para barrar impeachment, governo quer destacar laços entre Temer e Cunha

A ideia do Planalto é fragilizar o discurso do vice-presidente já que o também peemedebista Eduardo Cunha é réu na Lava Jato

Vera Rosa, O Estado de S.Paulo

28 de março de 2016 | 17h38

BRASÍLIA - Prestes a perder o apoio do PMDB, o governo decidiu subir o tom e enfrentar o que chama de “conspiração” do vice Michel Temer contra a presidente Dilma Rousseff. A ordem no Palácio do Planalto é mostrar a ligação entre Temer e o presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), que é réu da Lava Jato. Com a nova estratégia, o governo espera fragilizar o discurso da unificação nacional entoado por Temer.

Foi por este motivo que o líder do governo na Câmara, José Guimarães (PT-CE), acusou Temer de estar “no comando do golpe”. Na mesma linha, o líder do governo no Senado, Humberto Costa (PT-PE), disse nesta segunda-feira, 28, que Temer “seguramente será o próximo a cair” se Dilma for deposta pelo impeachment “golpista”.

"Não pense que os que hoje saem organizados para pedir 'Fora, Dilma' vão às ruas para dizer 'Fica, Temer', para defendê-lo. Não! Depois de arrancarem, com um golpe constitucional, a presidenta da cadeira que ela conquistou pelo voto popular, essa gente vai para casa porque estará cumprida a sua vingança e porque não lhe tem apreço algum. E, seguramente, Vossa Excelência será o próximo a cair", afirmou Costa, da tribuna do Senado.

O Palácio do Planalto sabe que perdeu a batalha da comunicação, mas, na estratégia do "tudo ou nada", pretende lançar algumas dúvidas na população e um dos planos é justamente mostrar que Temer e Cunha são "parceiros" e "beneficiários" do impeachment.

Na prática, o governo já dá como certo o desembarque do PMDB da equipe, mas atua para conquistar votos “avulsos”, com o objetivo de barrar o impeachment na Câmara, pois não crê que o partido saia em bloco.

A reunião do Diretório Nacional do PMDB que deve aprovar o rompimento com o governo será realizada nesta terça-feira, em Brasília. Os sete ministros do partido querem permanecer na Esplanada e alguns falam até em se licenciar do PMDB.

De qualquer forma, sem o PMDB a situação de Dilma se agrava ainda mais, uma vez que a provável decisão tende a provocar "efeito dominó" e outros partidos aliados, como o PSD, o PP e o PR, já ameaçam abandonar o Planalto.

Em conversas reservadas, Dilma tem mostrado inconformismo com o fato de Cunha, réu no Supremo Tribunal Federal, acusado de corrupção na Petrobrás, conduzir o processo que pode levar a seu afastamento.

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