Para atrair público, Obama fala mais cedo e após show no Rio de Janeiro

Autoridades querem 'aquecer' audiência com música antes do pronunciamento do presidente norte-americanono centro da cidade no domingo

Wilson Tosta, Márcia Vieira, Glauber Gonçalves da Sucursal do Rio

16 de março de 2011 | 18h43

Em seu pronunciamento aos brasileiros, o presidente dos EUA, Barack Obama, deve seguir um roteiro bem conhecido dos políticos brasileiros: o do showmício. Preocupados com o possível esvaziamento do evento, marcado para a tarde do próximo domingo na Cinelândia, organizadores da viagem têm sondado artistas sobre a possibilidade de fazerem um espetáculo musical antes que o presidente fale - já foram consultados o grupo AfroReggae e Caetano Veloso. Assim, o público seria entretido enquanto espera. Também há possibilidade de Obama, que inicialmente falaria às 15h, chegue um pouco mais cedo e comece a discursar pouco depois das 14h. Assim, seria menor o tempo de espera na praça, onde o comércio fechará, ambulantes não trabalharão e não serão permitidas sacolas, nem bolsas - condições que inviabilizarão refeições e lanches.

 

As preocupações dos organizadores da visita de Obama à cidade repetem cautela expressa pelo próprio governo estadual quando a viagem foi anunciada. Aos domingos, o centro carioca tem, geralmente, muito pouco movimento: não faz parte da cultura local frequentar a região fora de dias úteis. Também será fim do verão, com possibilidade de sol e praia cheia, o que também pode "roubar" público. A isso, poderão se somar dificuldades de acesso - por motivos de segurança, os trens do metrô, cuja Linha 1 passa ao lado do Teatro Municipal, de onde o mandatário americano vai falar, só circularão até as estações vizinhas de Carioca e Glória entre 12h30 e 15h30. Haverá ainda bloqueios e pontos de checagem em quarteirões em torno, o que também pode afastar gente.

 

O próprio governador Sérgio Cabral Filho (PMDB) evitou nesta quarta-feira fazer estimativas de possível público, mas demonstrou que não espera um recorde de assistência. Quando lhe perguntaram se o público poderia ir a 500 mil pessoas, Cabral disse que as estimativas são mais modestas e brincou, fazendo uma comparação com o cantor Roberto Carlos. "Para atrair isso só o rei", disse. "O público deve ser espontâneo, mas também há caravanas organizadas de jovens, de idosos, gente de todas as partes. Ele é um astro, um ícone da política mundial." Tradicional área de comícios e carnaval, a Praça Floriano, nome oficial da Cinelândia, já reuniu centenas de milhares de pessoas em outras ocasiões. Inicialmente, os americanos falavam em 10 mil pessoas para ouvir seu presidente.

 

Em outra frente, políticos, sobretudo da base governista local, se preparam para engrossar o público de uma "área vip", mais próxima do ponto de onde Obama discursará. Deputados esperavam ontem à tarde detalhes para possivelmente levar convidados. Se fosse um político em campanha no Brasil, porém, Obama não poderia, para atrair público, usar um showmício: esse recurso foi proibido pela lei eleitoral.

 

A Secretaria Municipal de Educação diz que Prefeitura do Rio convidou cerca de 200 professores para assistir ao discurso de Obama. A secretária Claudia Costin anunciou o convite no twitter. Os professores interessados em participar deverão estar lotados nas escolas municipais e poderão efetuar as inscrições nas Coordenadorias Regionais de Educação (CRE) de cada área onde ficam localizadas as escolas em que atuam. No domingo, ficarão em um local reservado e deverão levar o documento original de identidade.

 

Roteiro. Cabral, confirmou que Obama chega ao Rio no sábado, dia 19, por volta de 19h, depois de passar o dia em Brasília. No domingo, dia 20, ele deve visitar o Cristo Redentor com a família pela manhã (o acesso será fechado ao público da meia-noite de sábado às 11h de domingo) e depois irá à Cidade de Deus, comunidade que já recebeu uma Unidade de Polícia Pacificadora (UPP). Ainda segundo o governador, na agenda do presidente americano está previsto um almoço particular, depois do qual ele seguirá para a Cinelândia

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