Hélvio Romero/Estadão
Hélvio Romero/Estadão

Para atrair Alckmin, DEM oferece ao ex-governador controle do partido em SP

Movimento da direção nacional é resposta à saída do vice-governador de SP Rodrigo Garcia do partido, mas esbarra no apoio da sigla ao governador João Doria

Bruno Ribeiro e Pedro Venceslau, O Estado de S. Paulo

03 de junho de 2021 | 14h08

Na investida para filiar Geraldo Alckmin, o DEM ofereceu ao ex-governador o controle total da sigla em São Paulo. Caso decida trocar o PSDB pela legenda presidida pelo ex-prefeito de Salvador, ACM Neto, Alckmin terá a possibilidade de determinar como será a distribuição de recursos dos fundos partidário e eleitoral e a última palavra nas estratégias para uma futura candidatura ao governo paulista no ano que vem. As negociações dos dirigentes nacionais do DEM com o ex-governador causaram atrito com a direção estadual do partido,  controlado pelo presidente da Câmara Municipal de São Paulo, Milton Leite.

O vereador paulistano não aceita a proposta de “porteira fechada” da sigla para atrair o tucano.

O ex-governador, que também é assediado pelo PSD de Gilberto Kassab, vem mantendo conversas com seu antigo vice, Márcio França (PSB), em um trabalho para reeditar a chapa vitoriosa nas eleições de 2014. 

Em descompasso com a investida da direção nacional, os planos traçados pelo DEM estadual não incluíam Alckmin até aqui. O partido está alinhado ao projeto desenhado pelo governador João Doria (PSDB) de lançar o atual vice-governador, Rodrigo Garcia (PSDB), como candidato ao Executivo. Garcia deixou o DEM e se filiou ao PSDB há três semanas. Ele confirmou ao Estadão que pretende disputar o Palácio dos Bandeirantes. O vice-governador conta com o apoio de Leite.

Doria e Garcia prometeram a Leite que a vaga de vice-governador na chapa ou a candidatura ao Senado seria dada a um representante do DEM paulista. 

O assédio a Alckmin é uma tentativa de contra-ataque do DEM ante uma debandada de políticos do partido para outras legendas no último mês, que além de Garcia incluiu o prefeito do Rio, Eduardo Paes (que foi para o PSD), e o deputado federal Rodrigo Maia, ex-presidente da Câmara que ainda não definiu sua nova sigla. 

Diante das possíveis portas fechadas dentro do PSDB, o ex-governador tucano tem conversado com prefeitos da Grande São Paulo e do interior do Estado, além de participar de painéis de debates virtuais – um deles, na semana passada, com outro virtual candidato ao governo, o petista Fernando Haddad. Uma das ideias é que, ao anunciar a saída do PSDB, Alckmin consiga levar consigo alguns prefeitos tucanos também descontentes com a gestão Doria. 

Ao Estadão, entretanto, o tucano negou que planeje deixar o PSDB.

O anúncio da pré-candidatura de Garcia ao governo e a defesa de prévias, feita em entrevista ao Estadão, já é uma resposta às movimentações de Alckmin.  

A ideia de repassar o controle do DEM a Alckmin se vale do argumento de que o diretório estadual paulista é provisório, o que permitiria à Executiva Nacional impor decisões à direção paulista. Mas o vereador Milton Leite afirma que a legenda fez convenções locais em 2019 – que haviam eleito Rodrigo Garcia presidente estadual. A presidência, atualmente, é exercida pelo filho de Milton Leite, o deputado federal Alexandre Leite.

Nos bastidores, tanto integrantes da direção nacional quanto da estadual falam em “judicializar” o caso se não houver uma solução.

Na direção estadual, a aposta é que uma eventual saída de Alckmin do PSDB só ocorra após as prévias da legenda tucana se Garcia for o vitorioso. O ex-governador, avaliam correligionários, pode considerar alguma proposta alternativa, como a ida para o PSD ou para o PSB.  

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