André Dusek/Estadão
André Dusek/Estadão

Para aplacar rebeldia, ministros oferecem pasta dos Portos a Renan

Oferta foi feita a peemedebista em troca de apoio à reforma da Previdência e ao projeto de terceirização para estancar investidas do alagoano contra governo

Vera Rosa, O Estado de S.Paulo

30 Março 2017 | 13h03

BRASÍLIA - Preocupados com a rebeldia do líder do PMDB no Senado, Renan Calheiros (AL), os ministros da Casa Civil, Eliseu Padilha, e da Secretaria-Geral da Presidência, Moreira Franco, foram na noite de quarta-feira, 29, até o Congresso e se reuniram com ele a portas fechadas, no gabinete. Queriam acertar os ponteiros, já que, nos últimos dias, Renan virou um aliado com discurso de oposição.

Interlocutores do presidente Michel Temer, ouvidos pelo Estado, disseram que o governo ofereceu a Renan a recriação do Ministério dos Portos, em troca do apoio à reforma da Previdência e ao fim de suas críticas ao projeto de terceirização, que foi aprovado pela Câmara e deve ser sancionado nos próximos dias. “O PMDB se sente fora do governo, mas eu, pessoalmente, não quero cargo nenhum. Seria o meu completo esvaziamento na bancada”, disse Renan ao Estado. “O que não podemos deixar de constatar é que há uma dificuldade nessa coalizão, na qual os partidos menores ocupam os maiores espaços.”

O líder do PMDB quer que Temer vete a proposta da terceirização - considerada por ele “muito dura” por abranger até mesmo a atividade-fim - e mande depois uma medida provisória com regras mais brandas para a apreciação do Congresso.

Renan também disse a Padilha e Moreira que a reforma da Previdência não será aprovada como está. O senador chamou para o encontro com os ministros alguns colegas do PMDB. Em conversas reservadas, disse que queria “testemunhas” para que não ficasse parecendo que estava negociando cargos com o Palácio do Planalto. O líder do governo no Senado e presidente do PMDB, Romero Jucá (RR), participou da reunião, que durou quase três horas.

“No governo, vejo que sempre perguntam: 'O que o Renan quer?' Ora, eu quero a definição de políticas públicas, a calibragem das reformas do Estado e a inserção da bancada do PMDB no governo”, afirmou Renan.

Sem ceder em nada nas críticas às últimas medidas de Temer, o senador repetiu nesta quinta-feira, 30, que o PMDB não pode se “confundir” com o governo. “Há hoje o sentimento de que, quando o governo acabar, acabou o PMDB. Não dá para ser assim. Precisamos preparar o partido para eleger senadores, em 2018, e também ter um projeto”, insistiu Renan, que é candidato à reeleição. Renan Filho, governador de Alagoas, também disputará o segundo mandato. "O que o governo precisa é conversar, e não enviar medidas para o Congresso sem diálogo, sem nada. Há muita improvisação",disse ele. 

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