Gabriela Biló/Estadão
Gabriela Biló/Estadão

Para analistas, Pacheco poderá agradar 'todos os lados'

Senador vai comandar a câmara superior do Congresso pelos próximos dois anos

Paula Reverbel, O Estado de S.Paulo

01 de fevereiro de 2021 | 23h10

Eleito presidente do Senado em seu primeiro mandato na casa, Rodrigo Pacheco (DEM-MG) tem perfil conciliador e pode ser capaz de agradar parlamentares de todos o espectro político, de acordo com analistas ouvidos pelo Estadão. Pacheco recebeu 57 votos ante 21 de Simone Tebet (MDB-MS) e vai comandar a câmara superior do Congresso pelos próximos dois anos.

Além de ter contado com o apoio de Davi Alcolumbre (DEM-AP), agora ex-presidente do Senado, Pacheco conseguiu ser o candidato do presidente Jair Bolsonaro e de outros dez partidos de esquerda, direita e centro. Recebeu o apoio anunciado de DEM, PSD, PT, PDT, PP, PROS, PL, Rede, Republicanos e PSC.

Na visão do cientista político e professor da FGV-SP Marco Antônio Teixeira, Pacheco conseguiu costurar um acordo improvável que uniu bolsonaristas e partidos de esquerda como o PT e o PDT. “Teve efeito a articulação do governo e também teve efeito, do outro lado, as relações que o Pacheco trouxe com a própria esquerda, já que o PT desde o começo hipotecou apoio a ele”, disse. “Vamos ver como que ele vai se equilibrar diante de interesses tão distintos”, afirmou. 

O professor da FGV afirmou que Tebet contou com alguns dissidentes e com os partidos que estão mais próximos do movimento Muda Senado, grupo de cerca de 20 parlamentares que apoia pautas do ex-ministro Sergio Moro

De acordo com o cientista político Márcio Coimbra, coordenador da pós-graduação em Relações Institucionais e Governamentais da Universidade Mackenzie de Brasília, Pacheco é, além de conciliador, um legalista. “Ele foi conselheiro federal da OAB e tem valores democráticos, é uma pessoa muito legalista, até pela formação jurídica”, explicou.

“Vai prevalecer uma das maiores qualidades de político mineiro dele: sabe contemporizar, ouvir todos os lados”, disse. Pacheco, apesar de ter nascido em Porto Velho (RO), foi criado e fez carreira em Minas Gerais. Como exemplo, Coimbra lembra que o senador, quando foi deputado e presidiu a Comissão de Constituição e Justiça e de Cidadania da Câmara, teve que escolher os relatores das duas denúncias contra o então presidente Michel Temer

Acabou escolhendo os deputados Sérgio Zveiter, que fez um relatório anti-Temer para a primeira denúncia, e Bonifácio de Andrada, que fez um relatório pró-Temer para a segunda denúncia. Ambos tinham formação jurídica. Na época, Pacheco ainda declarou que não iria indicar “extremistas”. 

Nesta disputa pela presidência do Senado, Pacheco ainda prometeu realizar reuniões da Comissão Diretora da Casa, algo que Alcolumbre não fez enquanto esteve no comando. 

Desafios

Cabe ao Senado realizar sabatinas para aprovar indicações feitas pelo presidente da República para vagas em tribunais superiores – incluindo o Supremo Tribunal Federal (STF) –, no Tribunal de Contas da União (TCU), na chefia de missões diplomáticas e no Banco Central. Perguntado, Teixeira afirmou que embora a indicação de Kassio Nunes Marques por Jair Bolsonaro para o Supremo Tribunal Federal tenha representado uma convergência, será difícil repetir o feito para a próxima vaga, que abre em junho, com a aposentadoria do ministro Marco Aurélio Mello.

Bolsonaro já prometeu indicar um ministro “terrivelmente evangélico” para a próxima vaga e chegou a sugerir que o próximo pode ser um pastor, demanda que conta com forte oposição de muitos partidos.

Sobre a possibilidade de embate em torno da indicação, Coimbra afirmou que Pacheco não é dado a rupturas, ou seja, dificilmente iria derrubar um nome apontado por Bolsonaro, preferindo trabalhar por mais um nome que represente convergência.

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