Para analistas, Marina Silva seria a 3ª via em 2010

Aliados políticos e amigos que dialogaram com a senadora já dão como certa sua filiação ao PV

Gustavo Uribe, Agência Estado

11 de agosto de 2009 | 15h18

As chances de a ex-ministra do Meio Ambiente Marina Silva (PT-AC) ser demovida pelos petistas a se candidatar à presidência da República em 2010 são cada vez menores. Aliados políticos e amigos que dialogaram com a senadora em Rio Branco (AC), onde Marina passou o fim de semana, já dão como certa sua filiação ao PV. Uma eventual participação da ex-ministra na disputa à sucessão no Planalto é bem vista por cientistas políticos entrevistados pela Agência Estado.

 

 

Veja Também

linkCiro reitera intenção de se candidatar à presidência

linkMarina e Suplicy podem assinar carta contra Sarney

linkGilberto Gil nega convite para posto de vice na chapa

 

Na avaliação deles, Marina representaria uma "terceira via" em uma corrida eleitoral polarizada por PT e PSDB. "Ela deve ser a alternativa dos eleitores descontentes com o governo do presidente Lula e com o trabalho da oposição", explica Humberto Dantas, conselheiro do Movimento Voto Consciente.

 

Os cientistas políticos ainda ressaltam que a participação de Marina na corrida eleitoral deve empurrar a disputa para o segundo turno. Figura carismática e com uma trajetória de peso em prol do meio ambiente, a ex-ministra deve obter "uma margem de 15% dos votos em primeiro turno", estima Dantas.

 

Além de eleitores descontentes com a dobradinha PSDB-PT, a ex-ministra deve angariar os votos de eleitores mais esclarecidos sobre os riscos de uma catástrofe ambiental e de "órfãos da ex-senadora Heloisa Helena (PSOL)", que pode não disputar as eleições em 2010.

 

"Ela vai carregar uma bandeira importante e pouco recorrente no universo político brasileiro: a proteção ao meio ambiente", lembra José Paulo Martins, coordenador da Fundação Escola de Sociologia e Política de São Paulo (FESPSP).

 

Caso seja mesmo candidata, Marina Silva também deverá provocar uma mudança no discurso eleitoral de seus concorrentes, sobretudo o tucano José Serra e a petista Dilma Roussef, que se pautam por uma linha mais desenvolvimentista.

 

Para Carlos Melo, do Instituto de Ensino e Pesquisa (Insper, ex-Ibmec), a senadora colocará em pauta no debate político a preservação ambiental, "tema pouco caro aos virtuais candidatos à presidência Dilma e Serra".

 

Na sua avaliação, tanto a ministra-chefe da Casa Civil como o governador de São Paulo terão como carro-chefe em 2010 programas que esbarraram no meio ambiente e compraram briga com ambientalistas. "Eles terão de tomar cuidado quando falarem sobre o Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) e sobre o Rodoanel", destaca Melo

 

Desde o início de junho, a ex-ministra do Meio Ambiente é sondada pela cúpula do PV para disputar a sucessão do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Seu nome surgiu em pesquisa feita com membros da sigla que apontou o desejo de 85% da militância em ter candidatura própria nas próximas eleições.

 

No início um pouco relutante em aceitar o convite, Marina mudou de postura no final de julho, quando uma pesquisa telefônica encomendada pelo PV mostrou que o seu nome é competitivo para a disputa presidencial.

 

Ainda que a ex-ministra seja uma candidata de peso, as chances de ela ser eleita são reduzidas, avaliam os especialistas. Humberto Dantas lembra que o PV é um partido pequeno, com pouca representação política e com um reduzido tempo de campanha televisiva. Contudo, os analistas foram unânimes em reconhecer que tanto Marina como o PV devem sair ganhando desse enlace eleitoral.

 

A ex-ministra deve ter apoio incondicional dos verdes em reafirmar a sua luta favorável à preservação do meio ambiente. E a sigla ganhará projeção nacional e deve fortalecer a sua bancada no Congresso Nacional. "O partido já fala em ampliar de 14 para 25 o número de deputados federais. Eles estão certos em apostar que a senadora é uma boa puxadora de votos", avaliou Dantas.

 

Urnas - Além de forçar mudanças na campanha presidencial, uma eventual candidatura de Marina Silva também deve alterar o desempenho dos grandes partidos nas urnas, principalmente o do PT. Carlos Melo ressalta que a ex-ministra deve atrair votos de simpatizantes petistas e de membros da esquerda insatisfeitos com o governo do presidente Lula.

 

O cientista político ainda lembra que o "fator mulher", novidade que renderia votos à candidata petista, perderá força com a entrada de Marina na disputa. "Uma corrida eleitoral com duas candidatas não gera o mesmo frisson que uma disputa com apenas uma".

 

Outro ponto que também poderá prejudicar a eleição de Dilma ao Planalto é o fato de Marina Silva ser ex-ministra de Lula, o que lhe dá munição para tecer críticas contra o governo. "O PT tem razão em ter medo de uma candidatura da Marina", alerta Dantas. "Além de ter conhecimento sobre a sigla, há um ressentimento antigo entre a senadora e a ministra-chefe da Casa Civil", completou.

 

Dantas se refere às divergências entre Dilma e Marina por conta de licenças ambientais para obras do PAC, cujo estopim entre elas teria sido o pedido de demissão de Marina da pasta do Meio Ambiente, em maio do ano passado. "A legenda vai ter de pisar em ovos com a Marina", frisou Dantas.

Tudo o que sabemos sobre:
Marina SilvaPTPVpresidência

Encontrou algum erro? Entre em contato

Tendências:

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.