Dida Sampaio/AE
Dida Sampaio/AE

Para analista, PSDB tem cometido erros sistemáticos nos últimos anos

Tucanos apostaram em uma crise pós-mensalão no PT, o que de fato não aconteceu

Agência Estado

23 de outubro de 2012 | 17h48

SÃO PAULO - Nos últimos anos, o PSDB tem vivido uma situação mais de torcedor do que de protagonista, onde os fatos se desenvolvem indiferentes aos desejos e prognósticos do partido. Os tucanos têm errado tão sistematicamente que chega-se a desconfiar que errar seja uma estratégia.

 

O primeiro erro de avaliação do PSDB ocorreu em 2002, ao acreditar que o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva não seria capaz de se reinventar. Duvidar do ''Lulinha paz e amor'', depois jurar que o petista não conseguiria governar e que seu governo seria um desastre. Quando perceberam que não seria bem assim, passaram a acreditar que o escândalo do mensalão falaria por si. Além disso, a ''barbada'' que seria vencer Lula, em 2006, acabou se revelando uma bravata. A avaliação é do cientista político e professor do Insper Carlos Melo.

 

Para Melo, há também o fato de que no segundo mandato de Lula, os tucanos não acreditaram no poder simbólico do PAC. E cita outros exemplos de como alguns fatos transcorreram de forma oposta ao diagnóstico dos tucanos, como ''o anunciado caos de 2008'', quando pregaram que o PT finalmente enfrentaria uma crise de verdade e a maré de sorte terminaria, a descrença com a então candidata e afilhada política de Lula, a atual presidente Dilma Rousseff, e, mais recentemente, a aposta no que se acredita ser as diferenças entre Lula e Dilma ou o rompimento entre ''criador e criatura''.

 

Eduardo Campos. Nessa linha, Carlos Melo diz que, no momento, a nova aposta atende pelo nome do governador de Pernambuco, Eduardo Campos, presidente nacional do PSB: "Ele é um dos vitoriosos destas eleições municipais: duplicou o números de administrações, vencendo em capitais importantes. Além de tudo, é sangue novo. Em virtude disso, aposta-se nos conflitos, reais, entre PSB e PT. Imagina-se que, de alguma forma, o governador se bandeará para a oposição."

 

O cientista político destaca que, evidentemente, não se pode afirmar que Eduardo Campos não saltará do governismo. "Como tudo na política, isto depende das circunstâncias. A começar pelas circunstâncias econômicas de 2014. Como estará o País, e, por decorrência, a presidente Dilma Roussef. Contudo, acredita que se forem mantidas as atuais condições, sobretudo, os altos níveis de emprego, é possível que a presidente chegue bastante competitiva à eleição, talvez favorita." E se isso se confirmar, questiona: "Por que Campos sairia do governismo?"

 

Com relação às cidades nas quais o PSB se descolou do PT neste pleito, como Belo Horizonte, Recife e Fortaleza, Carlos Melo avalia: "Em Recife, o PSB estaria com o PT se o PT não fosse o PT que se mostrou em Recife. Lá, os petistas desalojaram seu próprio prefeito, um desastre de popularidade. Em Belo Horizonte, não dava para descartar o apoio à reeleição de Márcio Lacerda, um prefeito bem avaliado. Em Fortaleza, a disputa se deu entre PT e o clã dos Gomes. Onde realmente importava, para Lula e Dilma, Campos esteve presente: em São Paulo, aliás, interveio no PSB. No mais, como esquecer a folha de serviços prestados: retirar Ciro da disputa, em 2010, não foi irrelevante."

 

O professor do Insper diz que Eduardo Campos aumentou seu poder, elevou seu cacife e, por decorrência, sua capacidade de articulação e influência. "Foi necessário para estabelecer outro patamar de diálogo com o PT e seus aliados. É o jogo. As circunstâncias podem levá-lo para qualquer lugar, é claro. Elas são soberanas. Mas, não convém acreditar que se darão, necessariamente, do modo que gostaríamos. A história, sobretudo a história recente do PSDB, tem demonstrado autonomia em relação à esperança. Então, melhor agir ao invés de torcer."

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