Para analista, pesquisa indica fim da polarização em SP

Cientista político diz que pesquisa divulgada nesta quarta indica quebra da disputa entre PT e PSDB

Elizabeth Lopes, da Agência Estado

29 de agosto de 2012 | 20h58

A tradicional polarização entre tucanos e petistas nas eleições em São Paulo deve ser quebrada este ano, na corrida para a Prefeitura de São Paulo. A avaliação é do cientista político e professor da PUC e FGV de São Paulo Marco Antonio Carvalho Teixeira. Segundo ele, a pesquisa Datafolha divulgada nesta quarta-feira, 29, sobre a corrida municipal na capital paulista, uma semana após o início do horário eleitoral gratuito no rádio e na TV, apesar de não mostrar ainda um quadro consolidado, indica a quebra da polarização entre PT e PSDB.

"A quebra da polarização não ocorre apenas por causa da liderança isolada de Celso Russomanno nessa mostra (com 31% das intenções de voto), mas sobretudo pelo alto índice de rejeição do candidato do PSDB, José Serra, que teve sua rejeição elevada de 38% (na pesquisa divulgada pelo Datafolha no dia 21 de agosto) para o atual patamar de 43%. "Um candidato com um índice elevado de rejeição como este dificilmente ganha uma eleição", avalia o cientista político.

Sobre Russomanno, Carvalho Teixeira disse que ele está sendo uma "alternativa pessoal e não partidária" para o eleitorado paulistano. "Ele tem legado na área de defesa do consumidor numa cidade que carece da autoridade de um prefeito (o atual Gilberto Kassab, PSD), que nos últimos meses tem se dedicado mais à criação de seu novo partido do que à administração da cidade", frisou. Carvalho Teixeira acredita ainda que o trabalho que o candidato do PRB realizou na área da defesa do consumidor tem forte influência na boa performance que ele vem tendo com o eleitorado da Capital.

Após essa pesquisa, o cientista político acredita que a campanha do tucano José Serra terá dois desafios pela frente: "reduzir o índice de rejeição do Serra, que está nos padrões dos registrados em alguns pleitos por Paulo Maluf e tirar o foco de polarização com o PT, por causa do ator novo neste processo, Russomanno, líder isolado no Datafolha e estancar a queda nas pesquisas". Para Carvalho Teixeira, a campanha do tucano deveria escolher um outro alvo para polarizar: "não é mais o PT de Haddad, mas sim o Russomanno que se estabilizou num patamar ainda confortável para ir ao segundo turno".

Com relação ao petista Fernando Haddad, o pesquisador da PUC e FGV de São Paulo diz que a campanha está no rumo certo, com foco na presença do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Ele acredita também que a entrada da senadora Marta Suplicy (PT-SP) para dar um reforço na campanha do afilhado político de Lula poderá alavancar ainda mais sua candidatura, sobretudo nos redutos onde Marta tem força política. Com relação ao crescimento da rejeição do candidato petista (de 15 para 21%), Marco Antonio Carvalho Teixeira avalia que ela está dentro do porcentual da rejeição ao PT na Capital (cerca de 30%).

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