Para alunos de Direito, julgamento é histórico

Sessões do STF também são discutidas nas salas de aula

O Estadao de S.Paulo

07 de agosto de 2025 | 00h00

Os estudantes de Direito da capital acompanham, desde quarta-feira, o julgamento do caso do mensalão pelo Supremo Tribunal Federal (STF). Muitos deles acreditam que este é um momento importante para a história jurídica do País .Os olhos do aluno do terceiro ano de Direito da Fundação Getúlio Vargas (FGV) Rafael de Almeida Rosa Andrade, de 20 anos, brilham quando ele fala do noticiário sobre o caso. "Hoje mesmo (ontem), os professores comentaram na aula sobre o julgamento", conta.Para Andrade, que tem acompanhado as notícias do julgamento pelos jornais, ainda é cedo para os comentários serem juridicamente mais profundos. "Temos que esperar a denúncia como um todo ser aceita ou não pelo STF para aprofundar as discussões em sala de aula."Ele se mostra bastante crítico quanto à questão do foro privilegiado em relação ao processo. "É preciso ver se o pessoal do alto escalão do governo vai receber o mesmo tratamento dos outros." Pelo conhecimento jurídico que tem, Andrade sabe que é impossível prever quanto tempo vai passar até o fim do processo.Os colegas de sala de Andrade concordam que o julgamento representa um momento histórico "impressionante" para o STF. Como estudam em período integral, não devem acompanhar a transmissão pela TV. E acreditam que a internet vai ser o principal canal para acompanhar o processo.Luisa Moraes de Abreu acha o julgamento interessante como cidadã, mas destaca que o fato de ser estudante de Direito muda seu olhar. Por ser uma questão política, ela acredita que acompanharia o caso de qualquer forma. Mas como estudante acha que tem mais condições de compreender os processos. E Luisa tem certeza de que ainda não é o momento de comemorar. "O STF aceitar a denúncia não quer dizer que os envolvidos são culpados, é só um passo preliminar para que isso possa acontecer", explica.Francisco Silveira, de 20 anos, torce para que o episódio "não termine em pizza". "Para nós, alunos de Direito, esse é um momento de observar para aprender na prática o que estudamos em teoria nas aulas."A visão não é compartilhada pelo estudante do segundo ano de Direito na Pontifícia Universidade Católica (PUC)Vladimir Sampaio, de 19 anos. Membro do Diretório Acadêmico, ele diz ter certeza de que há assuntos mais importantes para se preocupar neste momento do que o julgamento do mensalão. "Estou envolvido com a discussão sobre a reorganização da nossa universidade agora", conta.Ele afirma sentir tristeza como cidadão pelo episódio do mensalão ter acontecido e diz que está acompanhando o caso pela internet. "É o meio mais fácil para acessar as notícias, já que passo o dia inteiro dentro Diretório Acadêmico." De acordo com Vladimir, os professores não fizeram comentários sobre o julgamento nas aulas em que esteve presente este ano.O aluno do primeiro ano de Direito da PUC Pedro Moreira de Sampaio, de 20 anos, também membro do diretório, disse ter lido alguma coisa sobre o julgamento no jornal Brasil de Fato. "Como membro da sociedade, acredito estarmos em um momento de falência da história pública."Para Pedro, a decepção em todos os níveis da sociedade é perceptível, a ponto de a classe média se unir e dar origem a movimentos como o Cansei, "que não vai mudar nada, mas está aí". Ele se diz bastante decepcionado com o Judiciário, em geral, por ser um Poder que "não costuma tomar atitude".Nas classes do primeiro ano não há comentários jurídicos sobre o caso, de acordo com Pedro. "As aulas ainda são bastante filosóficas e mais introdutórias. De vez em quando escapa uma piadinha irônica de algum professor, ou então eles dão a opinião pessoal sobre o caso mesmo, nada que possa ser considerado didático."REAÇÃOQuando soube que a reportagem do Estado tinha falado com estudantes de Direito de outras faculdades, Vladimir quis saber se os colegas da outra instituição acompanhavam o julgamento. "É impressionante como esse pessoal é reacionário", comentou, após ouvir a confirmação da repórter.Outros alunos do primeiro ano de Direito da PUC ouvidos pelo Estado afirmaram não ter interesse sobre o julgamento do mensalão.

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