Para aliviar tensões, Renan recorre aos florais

´Estou há 45 dias tomando a essência Rescue´, admite o senador, em almoço

Denise Chrispim Marin, do Estadão

11 de julho de 2007 | 19h33

Alvo de processo por quebra de decoro, no Conselho de Ética, e acossado até mesmo por antigos aliados, o presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), recorreu aos Florais de Bach para manter o equilíbrio. Especificamente ao "rescue remedy", uma combição de cinco essências indicada em casos de emergência, de grandes desafios à vista, de choque, de desespero e de pânico. O remedinho alternativo é pingado, com um conta-gotas, debaixo da língua várias vezes ao dia. "Estou há 45 dias tomando o Rescue", confessou, enquanto se servia de salgadinhos e aperitivos antes do almoço oferecido pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva à governadora-geral do Canadá, Michaëlle Jean.Nesta quarta-feira, após sofrer pressão do governo, Renan desistiu de presidir a sessão do Congresso que votará esta noite o projeto da Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO). Renan foi alertado pelo Planalto que a insistência em presidir a sessão seria prejudicial para todos, atrapalharia o governo na aprovação da leia orçamentária e traria mais desgaste para a imagem do senador, que poderia sofrer ataques da oposição. Renan acabou aceitando os argumentos e desistiu do comando da sessão.O convencimento da oposição foi o último ponto de uma série de movimentos estratégicos coordenados pelo Palácio do Planalto para conseguir realizar a sessão da LDO. Primeiro, o ministro das Relações Institucionais, Walfrido dos Mares Guia, se reuniu no Palácio do Planalto com o líder do governo na Câmara, José Múcio Monteiro (PTB-PE), com o presidente nacional do PMDB, deputado Michel Temer (SP) e com a líder do governo no Congresso, senadora Roseana Sarney (PMDB-MA). Em seguida, Renan foi chamado para conversar com Temer e Múcio no gabinete da presidência do PMDB e assim ser convencido a não participar da sessão. O aviso da desistência foi feito por Múcio e Temer aos deputados Chico Alencar (PSOL-RJ) e Fernando Gabeira (PV-RJ), no gabinete da presidência do PMDB. Ainda nesta quarta, Renan deve se encontrar com Lula para discutir a sua situação política e também as insatisfações da bancada do PMDB com as nomeações para cargos no governo federal.

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