Para aliados, PAC pode garantir força política a Lula até 2010

Ao apresentar nesta segunda-feira seu ambicioso programa para o segundo mandato, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva avisou que pretende influir em sua própria sucessão, em 2010. Na avaliação dos governadores aliados, Lula quer manter força política e eleitoral, mesmo não podendo mais ser candidato. "Em 2010 eu não estarei disputando mais a presidência, mas quero entregar ao sucessor um país muito melhor do que aquele que recebi", disse Lula em reunião com 25 dos 27 governadores antes do lançamento do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), segundo relato do pernambucano Eduardo Campos (PSB). "O próximo presidente pode estar aqui nesta sala", acrescentou o presidente, com o objetivo, segundo Campos, de desarmar resistências a um programa que pode fortalecer politicamente o governo federal. Não escapou aos governadores o fato de que o PAC privilegia obras no Nordeste e programas de saneamento, habitação e transporte urbano para a população mais pobre -- a região e o setor social que mais fortemente apoiaram a reeleição de Lula em 2006. "Lula está dando uma resposta a esse eleitor, mostrando de saída que mantém os compromisso de fazer o país crescer em benefício dos mais pobres", disse o governador petista de Sergipe, Marcelo Déda. Segundo Déda, o presidente quer deixar uma "marca positivamente forte" do segundo período, diferenciando-o do primeiro, caracterizado pelo baixo crescimento econômico e sucessivas crises políticas. "O primeiro mandato foi de recuperação da economia, o segundo será o do crescimento para mudar o país", disse o governador de Sergipe. A unificação dos projetos de infra-estrutura sob a marca do PAC, divulgada em âmbito nacional, também deve servir para identificar as ações do governo federal para os eleitores nos Estados. "Se tem uma coisa que incomoda os governadores é ver a marca do governo federal bem grande nas obras nos Estados. Com o carimbo do PAC, vai ser difícil esconder de onde vem o dinheiro", previu Eduardo Campos. Entre os governadores do PSDB, a crítica mais comum está relacionada ã arrecadação que perdem com a desoneração de tributos compartilhados entre União, Estados e municípios, como IPI, por exemplo. "Não participamos desse banquete de obras mas seremos lembrados na hora de pagar a conta", reclamou o tucano Cássio Cunha Lima, da Paraíba. Aécio Neves, governador tucano de Minas, disse que vai analisar "com cautela" o impacto das desonerações e queixou-se de que seu Estado não estaria sendo contemplado "na devida importância" em projetos para rodovias e aeroportos. "Temos em Confins o aeroporto que mais cresce no país, o mais lucrativo de todos, e o PAC nos contempla ali com um estacionamento de automóveis? Deve haver um engano", comentou Aécio com ironia. O governador de São Paulo, José Serra (PSDB), chegou e saiu de Brasília sem dar entrevistas, mas criticou o PAC, entre colegas, por considerar que as medidas não atacam as políticas fiscal e cambial. "O Serra comentou que o problema do crescimento só se resolve com a queda dos juros. Eu disse a ele para esperar a próxima reunião do Copom, semana que vem, e reclamar depois", contou Campos.

Agencia Estado,

23 Janeiro 2007 | 05h45

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