Para aliados de Dilma, diálogo de Jucá mostra que petista não atuou contra Lava Jato

Presidente afastada fará um discurso com este tom, insistindo na tese do golpe, ao participar, na noite desta segunda-feira, do congresso da Federação Nacional dos Trabalhadores e Trabalhadoras da Agricultura Familiar

Vera Rosa, O Estado de S.Paulo

23 de maio de 2016 | 16h29

O comando do PT e ex-ministros da gestão Dilma Rousseff avaliam que a primeira grande crise do governo de Michel Temer - com a revelação de um diálogo no qual o titular do Planejamento, Romero Jucá, fala na necessidade de "estancar a sangria da Operação Lava Jato" - será benéfica para a presidente afastada.

Ex-ministros argumentam que as afirmações feitas por Jucá, em diálogo com o ex-presidente da Transpetro Sérgio Machado, demonstram claramente que o governo Dilma "nada fez para frear" a Lava Jato, ao contrário do que disse o ex-líder do governo no Senado, Delcídio Amaral (ex-PT-MS), que teve o mandato cassado. Dilma fará um discurso com este tom, insistindo na tese do golpe, ao participar, na noite desta segunda-feira, do congresso da Federação Nacional dos Trabalhadores e Trabalhadoras da Agricultura Familiar (Fetraf), entidade filiada à Central Única dos Trabalhadores (CUT), no Parque da Cidade, em Brasília.

Desde cedo, a presidente afastada está reunida com auxiliares, no Palácio da Alvorada, conhecido como quartel-general da resistência. Seguindo a estratégia da "pronta resposta", Dilma pediu ao ex-ministro da Secretaria de Governo, Ricardo Berzoini, para gravar um vídeo, que foi postado na página dela no Facebook, dando o tom da reação petista. As conversas entre Jucá e Machado foram reveladas pelo jornal Folha de S. Paulo.

Berzoini disse que estava ali para "exigir" a demissão de Jucá e a "investigação da relação de Temer com esse diálogo". Embora até mesmo o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva considere difícil Dilma retornar ao Palácio do Planalto, após o julgamento final no Senado -- previsto para ocorrer entre agosto e setembro --, os problemas no início da gestão Temer animaram o PT. Sob comando de Lula, uma ofensiva será reforçada para tentar reverter seis votos de senadores que votaram a favor do impeachment.

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