EFE|Fernando Bizerra Jr.
EFE|Fernando Bizerra Jr.

Para Alexandre de Moraes, Lava Jato não será prejudicada pela Olimpíada

O ministro da Justiça disse que a força-tarefa, baseada em Curitiba, não será desfalcada por conta da necessidade de deslocamento de agentes de segurança para o Rio, onde os jogos serão disputados

Tânia Monteiro, O Estado de S.Paulo

22 de junho de 2016 | 14h49

Brasília - O ministro da Justiça, Alexandre de Moraes, declarou que a Operação Lava Jato não será prejudicada ou desfalcada de pessoal por conta da necessidade de deslocamento de mais policiais federais para atuar na segurança dos Jogos Olímpicos no Rio de Janeiro, a partir do mês que vem. "Nós vamos lotar mais policiais federais no Rio, obviamente, mas sem nenhum prejuízo da superintendência da PF de Curitiba. Vamos tirar pessoal de outros locais, já que a prioridade da Polícia Federal e do Ministério da Justiça, neste momento, em termos de investigação, é o combate à corrupção e a Operação Lava Jato", disse Moraes ao comentar que esteve nesta terça-feira, 21, em Curitiba com o Juiz Sérgio Moro, os procuradores e policiais federais da força-tarefa. Moraes se comprometeu com eles que "não haverá prejuízo" de pessoal e apoio para a Lava Jato e avisou que, se eles precisarem de reforço, serão atendidos.

"Reiterei a eles o que já tenho dito de total apoio do Ministério da Justiça e do presidente Michel Temer à Operação Lava jato. Total apoio completo. Ou seja, se houver necessidade de mais peritos, de mais policiais, de maior infraestrutura, é só solicitar que o Ministério da Justiça irá imediatamente colocar à disposição", declarou Alexandre Moraes. "Tranquilizei Moro e os policiais que indagaram se, no período da Olimpíada, por conta da necessidade de mais policiais no Rio, haveria prejuízo de recursos humanos para operações da Lava Jato.

As declarações do ministro foram dadas no Comando Militar do Planalto, em Brasília, após ele participar da abertura do Seminário "Emprego do Ministério da Defesa na Segurança dos Jogos Rio 2016", ao lado dos ministros da Defesa, Raul Jungmann, e do Gabinete de Segurança Institucional, general Sérgio Etchegoyen. No seminário, o chefe do Estado Maior Conjunto das Forças Armadas, almirante Ademir Sobrinho, falou da necessidade de "adequação logística, trabalho rápido e preparação para novas tarefas". Ele se referia aos dois novos pedidos que chegaram às Forças Armadas, a 44 dias do início dos jogos e a 15 dias de todo o planejamento e início de operação estarem concluídos. 

O primeiro foi feito pelo Governo do Rio, para que os militares façam patrulhamento em vias públicas como as linhas amarela e vermelha, a TransOlímpica e a TransOeste, além da avenida Brasil, 13 estações ferroviárias e o aeroporto Tom Jobim. O segundo foi encaminhado pelo Ministério da Justiça solicitando militares para executar missões que estavam a cargo da Secretaria Especial de Grandes Eventos, a exemplo da segurança às instalações onde os eventos serão realizados e onde os atletas estarão hospedados, interna e externamente, além da execução de atividades que seriam da iniciativa privada, como vigilância nos campos. Esse repasse de funções irritou profundamente os comandos das Forças Armadas que estão "correndo contra o tempo" para corrigir o que está sendo chamado de "esqueletos de planejamento". A competição trará ao Brasil cerca de 15.000 atletas de 206 países e centenas de autoridades. 

Mesmo com as novas atribuições e apesar do tempo escasso, o ministro da Defesa, Raul Jungmann, disse que os pedidos serão atendidos porque a prioridade será dar "segurança máxima" aos jogos. Até o momento, 38 mil militares trabalharão especificamente na segurança da Olimpíada em todo o País, sendo 18 mil concentrados no Rio de Janeiro. Ainda não houve decisão sobre o número suplementar de militares que será necessário para as novas atribuições. A ideia é que sejam deslocados para o Rio oito batalhões das três Forças, somando perto de cinco mil homens.

Terror. O ministro da Defesa afirmou ainda que, naturalmente, preocupa o fato de o Estado Islâmico ter uma conta em português direcionada para o Brasil, mas que há uma vigilância em relação a isso. "O Estado Islâmico preocupa qualquer lugar, qualquer situação, qualquer evento, qualquer casa, qualquer família, bairro ou qualquer nação do mundo. A gente não pode lidar com aquilo que o EI representa, porque ele evidentemente é uma ameaça à paz em qualquer país do mundo. O que nós podemos fazer é estarmos prontos para prevenir que ele chegue efetivamente a atuar, e os encargos que dizem respeito à segurança, à inteligência e à defesa estão 100% em dia", declarou Jungmann, falando que a integração será um dos principais ingredientes para combater o terror. 

O ministro do GSI, por sua vez, declarou que hoje não há elementos que provoquem um salto do "nível de preocupação para o nível de alarme ou pânico" em relação ao terror. Segundo o general Etchegoyen, há um trabalho de prevenção ao terrorismo e uma integração com 113 agências de inteligência do mundo todo, que atuarão no Rio. "Como estamos tratando de possibilidades, o terrorismo é uma possibilidade, como é uma possibilidade o crime comum. Nós estamos trabalhando para assegurar que a chegada ao pódio no encerramento da Paralimpíada comemore o que passou, sem qualquer problema", acrescentou. O lobo solitário, lembrou, "é uma possibilidade também porque tem sido o modus operandi no mundo todo".

O ministro citou também o episódio de Orlando, nos Estados Unidos, onde 50 pessoas foram mortas em uma boate gay. Segundo ele, ainda se discute se o que houve lá foi terrorismo ou perturbação mental. "Nós temos gente assim no Brasil também, pois temos uma população de 204 milhões de pessoas. Mas não identificamos este tipo de ameaça especificamente", afirmou ele, destacando que este trabalho de integração com agências internacionais ajudará na identificação deste tipo de problema, já que estas agências estão trazendo para o Brasil os detalhes, o modus operandi e a lista das pessoas que eles têm como suspeitas neste tipo de atividade.

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