Alckmin defende autonomia entre os Poderes para evitar 'crise de grandes proporções'

Governador diz que escolha de data para colocar em votação revisão das punições a Aécio 'é decisão do presidente do Senado'

Lu Aiko Otta, O Estado de S.Paulo

02 de outubro de 2017 | 12h47

BRASÍLIA - O governador de São Paulo, Geraldo Alckmin (PSDB), disse no início desta tarde de segunda-feira, 2, que a decisão de colocar em votação a revisão das punições impostas pelo Supremo Tribunal Federal (STF) ao senador Aécio Neves (PSDB- MG) cabe ao presidente do Senado, Eunício Oliveira (PMDB-CE). O tucano defendeu, ainda, a autonomia entre os Três Poderes. 

"É decisão do presidente do Senado se põe em votação amanhã (terça, 3) ou na próxima semana" , comentou, após reunir-se com o ministro das Relações Exteriores, Aloysio Nunes Ferreira. Ele ressaltou que é necessário preservar a autonomia de ação dos Poderes "e isso não virar uma crise de grandes proporções."

+++ DEBATE: A decisão do STF de afastar Aécio é constitucional?

O governador elogiou o deputado Bonifácio Andrada (PSDB-MG), escolhido como relator. "É um deputado extremamente respeitado, professor de Direito Constitucional", disse. Se o parlamentar vai ou não criar a relatoria, é "questão de foro íntimo ", avaliou .

O Senado não pretende adiar a decisão sobre o futuro do senador para aguardar o desfecho do caso no Supremo. Em tratativas no fim de semana, senadores decidiram manter a votação para terça e querem fazê-la em caráter secreto. Ao contrário do que ocorreu na sessão que confirmou a prisão do ex-senador petista Delcídio Amaral (sem partido-MS), ninguém saberá como cada um votou. A medida evitaria mais desgaste político para quem se alinhou a favor do tucano, incluindo o PT, adversário histórico.

DENÚNCIA

Alckmin avaliou que a segunda denúncia contra o presidente Michel Temer não deverá prosperar na Câmara,  tal como ocorreu com a primeira.  Ele contou que, mais cedo, no Planalto,  disse ao presidente que manterá a mesma postura de antes. "Não vou interferir.  Isso é  assunto dos deputados."

Alckmin defendeu a mudança do modelo institucional das denúncias contra o presidente, pois o atual "é coisa do tempo do império". Para o governador,  não deveria ser necessária a autorização da Câmara para investigar,  da mesma forma que não  há  a autorização do Legislativo para investigar governadores e prefeitos.  Por outro lado, não deveria haver o afastamento pela denúncia,  pois ela ocorre sem condenação.

2018

O governador minimizou o resultado das pesquisas eleitorais que o mostram em situação de empate com o prefeito da capital paulista, João Doria, do mesmo partido. "A eleição de 2018 vai começar depois que forem definidos os candidatos e os argumentos forem colocados" , disse. Os votos serão definidos 30 dias antes da eleição, apostou. "Esse momento é mais recall."

Questionado sobre a realização de prévias no partido, ele respondeu: "Eu acredito que não vai ter mais de um candidato. Mas, se tiver, quanto mais ampla a consulta para decidir, melhor."

Antes de ter visitado o Itamaraty, o governador foi recebido pelo presidente Michel Temer. 

RODOANEL

Alckmin esteve com Temer para pressionar pela liberação de recursos para a construção do Rodoanel Norte. " É uma obra estadual e federal", disse. "Já investimos quase RS 1 bilhão este ano e o governo federal, RS 87 milhões,  sendo que a previsão no orçamento é de RS 620 milhões. " 

Segundo relatou, o presidente ficou de avaliar o caso. "Insisti, pois já estamos em outubro." 

O governo federal liberou em setembro  RS 12,8 bilhões do orçamento que estavam contingenciados,  mas ainda não definiu onde alocará  os recursos.

O Rodoanel é  uma obra que vem sendo financiada em 2/3 pelo governo do Estado e 1/3 pela União.  Quando o trecho Norte estiver concluído,  os 180 km da via interligarão o aeroporto de Guarulhos ao Porto de Santos. 

Na conversa com Temer, Alckmin também falou sobre uma proposta de criação de uma agência federal de inteligência com a participação dos Estados. Ela teria como focos os crimes na fronteira e os contrabandos de armas e de drogas. 

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