Para Alckmin, plebiscito é 'correria enorme e confusa'

O governador de São Paulo, Geraldo Alckmin (PSDB), disse na manhã desta quarta-feira, 03, que a proposta do governo federal de fazer um plebiscito sobre a reforma política causa uma "correria enorme e confusa". Em cerimônia realizada no Palácio dos Bandeirantes para o anúncio do aumento de gastos com a Polícia Civil, Alckmin defendeu a importância de uma reforma política, mas disse que é preciso "entender melhor esse Brasil que nasceu das ruas". "Na forma em que (o plebiscito) está sendo colocado, parece que com quatro ou cinco perguntas tudo vai ser solucionado", avaliou o governador.

GUILHERME WALTENBERG, Agência Estado

03 de julho de 2013 | 12h41

Para Alckmin, os movimentos que tomaram as ruas das principais cidades brasileiras nas últimas semanas têm outras reivindicações além da reforma política. "Não é só uma questão eleitoral. Acho que são questões da vida das pessoas. Há uma questão política que precisa ser enfrentada. Mas a questão é a saúde, a mobilidade urbana, a segurança pública, que precisam ser enfrentadas, assim como a eficiência do gasto público e a questão econômica, com a inflação de um lado e o baixo crescimento do outro", disse o governador.

De acordo com o governador, as questões que serão avaliadas pelo plebiscito são muito complexas para serem respondidas de imediato. "Uma das perguntas é (se a pessoa) é a favor do financiamento público ou privado (de campanhas). Pergunta dificílima de ser respondida por qualquer cidadão. Depende: se tiver quatro ou cinco partidos no País, com fidelidade partidária, cláusula de desempenho, até se pode discutir o financiamento público. Agora, com mais de 30 partidos, como vai aprovar? Muitas perguntas pressupõem outras questões que não estão claras", disse.

A reforma política, na visão de Alckmin, deveria ter sido realizada logo no primeiro ano do governo de Dilma. "O presidencialismo tem problemas, mas ele tem uma grande vantagem: aquele que se elege vem com 80 milhões, 100 milhões de votos. A legitimidade das urnas, das ruas, é muito forte. E isso precisa ser aproveitado para você, no primeiro ano, fazer as reformas que precisam ser feitas", afirmou.

Demagogia

Indagado sobre a declaração da presidente Dilma Rousseff sobre não fazer "demagogia" sobre cortes de gastos do governo federal, o governador respondeu que ela "certamente não estava se referindo a São Paulo" - na semana passada, Alckmin anunciou cortes de gastos estimados em R$ 350 milhões.

"Nós não fabricamos dinheiro nem vamos aumentar impostos. Quando, de um lado, deixa-se de ter uma receita, tem que dizer de onde vai sair o recurso. Quando ninguém diz de onde vai sair, pode escrever: vai diminuir investimento."

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