Fabio Motta|Estadão
Fabio Motta|Estadão

Para Alckmin, governo Temer precisa 'convencer' sobre reformas

Governador de São Paulo diz que presidente corre o risco de usar 'cacife' político em discussão sobre PEC do Teto dos Gastos públicos e não conseguir aprovar outras reformas depois

Luciana Nunes Leal, O Estado de S.Paulo

06 de outubro de 2016 | 10h20

Rio - O governador de São Paulo, Geraldo Alckmin (PSDB), defendeu nesta quarta-feira, 5, a proposta de emenda constitucional (PEC) que fixa um teto para as despesas federais, mas afirmou que não deve ser votada antes das reformas previdenciária, trabalhista, tributária e política. Na avaliação do governador, o governo de Michel Temer corre o risco de “usar o cacife” político para aprovar a PEC e depois não conseguir maioria para as demais mudanças. 

“Sou favorável á PEC, os gastos de pessoal, custeio e investimento não podem crescer mais que a inflação. Se crescer de um lado, tem que diminuir de outro.  Mas eu faria primeiro as reformas. Se aprovar a PEC e não aprovar as reformas, a PEC pode não ser exequível. Fica difícil  usar o cacife para aprovar a PEC e depois (aprovar) as reformas mais importantes, previdenciária, simplificação trabalhista, tributária e a redução do número de partidos. O momento é esse, o ambiente político é favorável. É um governo novo, Michel Temer está começando e quem teve dois terços para aprovar o impeachment (no Congresso) tem maioria para aprovar as reformas. Agora, precisa convencimento”, disse Alckmin em entrevista ao jornalista Roberto D’Avila, da Globonews, que foi ao ar na noite desta quarta-feira. 

Alckmin comemorou a “derrocada” do PT e os bons resultados do PSDB nas eleições municipais, em especial pela vitória do tucano João Doria em  São Paulo, no primeiro turno. “O recado das urnas foi esse: o PT do desajuste fiscal, da irresponsabilidade fiscal, dos desvios éticos, do impeachment, (sofreu) derrocada no Brasil inteiro Agora é preciso ter esperança, com foco nas pessoas”.

Pré-candidato à presidência da República, assim como o senador e presidente do partido Aécio Neves (MG) e o ministro das Relações Exteriores José Serra, Alckmin defendeu a realização de prévias no PSDB para a escolha do candidato em 2018. O governador lembrou que por este sistema que Doria foi escolhido candidato. Na época, a insistência do governador no nome do futuro prefeito causou grande divisão no partido. 

“A campanha começou bem porque começou de maneira democrática, com as prévias. Foi o caminho mais importante, com o voto de mais de 20 mil filiados. Deu legitimidade”, afirmou. Sobre prévias em 2018, respondeu: “Sempre defendo a democracia dentro de casa”. O governador lembrou que o ex-governador Mario Covas fez questão de se submeter a prévia em 1989, embora fosse o único pré-candidato do partido à presidência da República. 

O governador disse que, em São Paulo, fará o “ajuste do ajuste”, diante da previsão de queda de receita no orçamento do ano que vem. “Ajuste fiscal é obra permanente, não tem fim. Você sempre pode fazer mais e melhor com menos dinheiro. Vamos fazer o ajuste do ajuste no que vem para garantir investimentos, senão não vai investir”, afirmou. 

Questionado sobre a crítica do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) ao “espetáculo midiático” de procuradores da Operação Lava Jato em Curitiba ao acusarem o ex-presidente Luis Inácio Lula da Silva de ser o comandante da “propinocracia”, Alckmin concordou com o magistrado. “Ele tem razão, ribalta é para quem disputa eleição, os operadores do Direito, seja o Ministério Público ou a Justiça, precisam um pouco mais de cautela”. Alckmin evitou comentar decisão do desembargador Ivan Sartori  de absolver policiais militares envolvidos no massacre de 111 presos no Carandiru. Preferiu criticar o excesso de judicialização e defendeu a prisão de réus condenados em segunda instância, em vez da espera até o julgamento do último recurso.

O governador insistiu na necessidade de o Brasil criar um ambiente de retomada do crescimento econômico. “O Brasil precisa crescer, não pode ser o último da fila. Você tem uma espiral muito dura de baixo consumo, baixa produção, desemprego e realimenta a espiral recessiva. Tem que retomar a agenda de competitividade. O Brasil tem 3% do PIB mundial. Em algumas áreas da indústria, há 40% de ociosidade e temos 12 milhões de desempregados. A política fiscal tem que ser dura. Juros altos sobrevalorizam a moeda e tiram competitividade. Além da questão fiscal, precisa reduzir juros e ter agenda de competitividade”, afirmou.

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