WERTHER SANTANA/ESTADÃO
WERTHER SANTANA/ESTADÃO

Para Alckmin, sem foco no crescimento, Brasil 'morre na praia'

Governador diz que neste momento de crise não se pode apenas 'cortar, cortar e cortar', é preciso pensar no desenvolvimento do País

Elizabeth Lopes e Pedro Venceslau, O Estado de S. Paulo

29 de setembro de 2015 | 12h07

São Paulo - Ao participar na manhã desta terça-feira, 29, do evento para divulgação do ranking Empresas Mais, elaborado pelo Estadão, ao lado de empresários e do ministro da Fazenda, Joaquim Levy, o governador de São Paulo, Geraldo Alckmin (PSDB), alertou que neste momento de crise não se pode ter foco apenas em "cortar, cortar e cortar". Na sua avaliação, é preciso pensar também no crescimento, caso contrário, morre-se na praia. "É preciso ter foco no crescimento e no desenvolvimento."

Num breve discurso, o governador de São Paulo disse que o País precisa de empreendedores. "Boas empresas são um ativo para o País." E disse que é necessário ter responsabilidade fiscal, citando a reforma que sua gestão fez na área previdenciária do funcionalismo estadual. "A realidade não é fácil na área previdenciária". E criticou o fato de o Congresso Nacional ter aprovado no ano passado, com sanção da presidente Dilma Rousseff, projeto que concede aposentadoria aos 25 anos de serviço às policiais civis. "Hoje a expectativa de vida das mulheres no Estado de São Paulo chega a 80 anos", lembrou, criticando o que classificou de "corporativismo".

O ministro da Fazenda, Joaquim Levy, vem defendendo a realização de uma reforma previdenciária, especialmente se o governo não conseguir aprovar no Congresso a volta da CPMF, principal medida para garantir receitas aos cofres da União e reequilibrar as contas públicas. No evento do Estadão, Levy disse que o governo já está discutindo mudanças estruturais em um fórum de trabalho. "O governo está criando consenso, porque é um tema pesado, grande", afirmou.

Queda. Alckmin falou também que a crise vai levar o Estado que administra a registrar uma queda na arrecadação, este mês, de R$ 700 milhões. "E em outubro, a maioria das prefeituras não terá dinheiro para pagar o salário de seu funcionalismo", disse. Ele destacou que a prefeitura de uma das maiores cidades do Estado, São José dos Campos, vai ter de funcionar só uma parte do período, em razão do cenário econômico. A cidade é administrada pelo petista Carlinhos Almeida.

Ao falar da crise, o governador tucano disse que o Estado vem fazendo a lição de casa. "Já fechamos secretarias, estatais, quatro fundações, reduzimos a frota. Fizemos todo o esforço de natureza fiscal." Ele sugeriu que o governo federal siga o mesmo caminho, colocando em execução as reformas prioritárias para o País, como a previdenciária, a política, a trabalhista, a administrativa e a tributária.

Apesar das críticas, Alckmin lembrou que o brasão da bandeira de São Paulo diz: "Pelo Brasil, faça-se o máximo". Portanto, segundo ele, o Estado estará pronto a ajudar o desenvolvimento do País. "Temos de investigar, investigar, cumprir a Constituição, mas o País precisa funcionar."

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