NILTON FUKUDA/ESTADÃO
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Para Alckmin, Lava Jato é algo 'sacrificante, doloroso, mas necessário'

Governador não comentou a conversa entre o ministro Romero Jucá e o ex-presidente da Transpetro, Sérgio Machado

André Ítalo Rocha, O Estado de S.Paulo

23 de maio de 2016 | 15h01

SÃO PAULO - Em palestra para empresários do grupo Lide na capital paulista, o governador de São Paulo, Geraldo Alckmin (PSDB), disse nesta segunda, 23, que é totalmente favorável às investigações da Operação Lava Jato. "É sacrificante, doloroso, mas é necessário", afirmou o governador, sem comentar o vazamento da conversa entre o ministro do Planejamento, Romero Jucá, e o ex-presidente da Transpetro Sérgio Machado.

Alckmin declarou que a impunidade é algo que estimula a corrupção e, por isso, as investigações da Lava Jato não podem ser interrompidas. "É uma mudança cultural", disse o governador, em resposta a uma pergunta feita por um dos participantes do evento.

Reforma política. O governador também fez uma defesa da reforma política no Brasil, com foco na diminuição de partidos políticos. "Com 25 partidos na Câmara dos Deputados, é quase ingovernável. Tem de proibir coligação em eleições proporcionais, que aí o número de partidos cai para oito ou nove", disse o governador, em evento do grupo de empresários Lide, do pré-candidato a prefeito de São Paulo pelo PSDB, João Doria.

Para Alckmin, com as coligações em eleições proporcionais, os partidos pequenos "pegam carona" nos partidos maiores. "Se não houver coligação, eles fecham", afirmou. Além disso, o governador declarou que é a favor do voto distrital puro. "É assim que é no modelo americano e inglês", ilustrou. "Não é tão difícil, não precisa mexer na Constituição, é só criar lei ordinária", acrescentou.

Economia. Alckmin ainda  defendeu uma reforma na Previdência. "Não é possível que o Congresso Nacional tenha aprovado em 2014 que uma policial feminina possa ter aposentaria integral com 25 anos de serviço e a presidente (Dilma Rousseff) não tenha vetado uma lei dessa", disse o governador. "O Congresso tem baixa solidariedade com o poder Executivo", criticou. As leis trabalhistas, acrescentou Alckmin, também estão "atrasadas". "Isso é algo de 70 anos atrás".

O governador disse que, para retomar a geração de emprego, é necessário investir em infraestrutura, logística e construção civil. Lamentou a recessão brasileira e afirmou que, com a queda acumulada do PIB nos últimos três anos e o crescimento demográfico, a renda per capita deve ter uma queda de 2 dígitos no período. Afirmou ainda que o Brasil é pouco integrado à economia mundial. "E somos 3% da população mundial, então temos 97% de mercado para explorar."

Ao fim de seu discurso, Alckmin disse que a economia chegou ao fundo do poço, mas que, "com trabalho", haverá avanço. "Quero trazer uma palavra de otimismo, chegaremos à terra prometida, não por destino, mas com trabalho, confiança, reformas, competitividade para melhorar a vida da população."

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