Para agradar ao PMDB, Temer pode criar cargo de líder da maioria e manter Moura em função

Para agradar ao PMDB, Temer pode criar cargo de líder da maioria e manter Moura em função

Segundo interlocutores, ideia seria deixar o deputado do PSC, que foi alvo de críticas e é antigo aliado de Cunha, como líder do governo na Câmara e colocar um peemedebista no novo posto

Carla Araújo e Tânia Monteiro, O Estado de S.Paulo

08 de fevereiro de 2017 | 18h38

BRASÍLIA - Nas conversas que tem tido com parlamentares nos últimos dias, o presidente Michel Temer afirmou que estuda a possibilidade de criar um novo cargo de poder na Câmara para afagar os descontentes do PMDB e também manter no posto da liderança do governo o deputado André Moura (PSC-SE).

A ideia, segundo interlocutores, é que seja criado o cargo de líder da maioria, que possivelmente ficaria com algum peemedebista. Moura, que foi alvo de críticas no Planalto por sua atuação considerada fraca na liderança, é um antigo aliado do ex-presidente da Câmara e deputado cassado Eduardo Cunha (PMDB-RJ), que nesta terça-feira, 7, deu um longo depoimento ao juiz Sérgio Moro e afirmou que Temer participou, em 2007, de uma reunião com a bancada do PMDB para discutir as indicações do partido para diretorias da Petrobrás.

Cunha contrariou a versão apresentada por Temer em sua manifestação como testemunha de defesa arrolada pelo próprio deputado cassado. Temer nega e, em nota, "reafirma que não participou de reunião no Palácio do Planalto sobre indicação do PMDB para cargo na Petrobrás".

Encontros. O presidente teve encontros nesta quarta-feira, 8, - fora da agenda - com o presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), com o senador Romero Jucá (PMDB-RR), que é líder do governo no Congresso, e também com o senador Aécio Neves (PSDB-MG). O senador mineiro, que é presidente do PSDB, também teve reuniões nesta quarta-feira no Planalto com o ministro da Secretaria de Governo, o tucano Antonio Imbassahy. O ministro também recebeu Moura em seu gabinete.

Segundo auxiliares do presidente, a possível nova configuração na Câmara não está completamente fechada. Outra peça desse xadrez para acalmar o PMDB é a escolha do ministro da Justiça, cargo que ficou vago com a indicação de Alexandre de Moraes para o Supremo Tribunal Federal (STF).

Temer afirmou, nesta terça-feira, que a escolha para o sucessor de Moraes será "pessoal". Apesar disso, o PMDB continua pressionando para que emplaque na pasta um quadro tido como aliado, já que muitos peemedebistas estão citados em delações do âmbito da Lava Jato. Pelo menos um interlocutor do presidente diz que Temer deve "puxar para si" a decisão e aposta na escolha do advogado criminalista Antônio Cláudio Mariz de Oliveira, que era a primeira opção para o posto. Temer chegou a convidar Mariz para a Justiça logo que assumiu a Presidência, em maio do ano passado, ainda como interino. Teve de "desconvidá-lo" depois que o advogado deu declarações contrárias ao modo como agia a força-tarefa da Lava Jato e criticou as investigações. Segundo essa fonte, agora poderia ser o momento de "compensar o mal estar com o amigo".

Outros nomes que estão sendo ventilados para o cargo é do ex-secretário de Segurança do Rio José Mariano Beltrame, do ex-ministro do Supremo Ayres Brito, e também do deputado Osmar Serraglio, que entraria como uma cota do PMDB. Temer, no entanto, ao ser questionado nesta terça-feira sobre as pressões dos partidos pelo cargo reforçou que "o ministro da Justiça é muito importante. Vamos escolher de forma pessoal".

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