Para Aécio Neves, reforma política em 2014 é 'inviável'

Provável candidato à presidência em 2014, o senador do PSDB considera proposta 'diversionista'

Ricardo Brito , Agência Estado

02 de julho de 2013 | 19h25

O presidente do PSDB, senador Aécio Neves (MG), afirmou nesta terça-feira que a votação do plebiscito para fazer uma reforma política valer para as eleições de 2014 é algo "absolutamente inviável" do ponto de vista prático e uma matéria "diversionista" do governo Dilma Rousseff. O Executivo enviou nesta terça ao Congresso uma mensagem conclamando o Legislativo a realizar a reforma do sistema político.

"A presidente da República quer dizer aos brasileiros que aquilo que os fez ir às ruas foram as propostas que interessam ao PT na reforma política. E a calamidade da saúde pública, a falência da mobilidade urbana, o aumento da criminalidade? Mais uma vez, o governo mostra que não entendeu absolutamente nada que a população brasileira quis dizer", afirmou, em entrevista coletiva no Senado.

O provável adversário de Dilma em 2014 disse que os temas listados pela presidente, como a discussão sobre o financiamento público e o fim voto secreto, "não respondem às demandas da população brasileira". "O que ela busca fazer é convidar o Congresso para um passeio de primeira classe numa cabine do Titanic. Nós aqui estamos denunciando", criticou.

Para o presidente do PSDB, o governo federal não quis conversar com a oposição e não há mais sentido em ter essas conversa com a presidente. "Nós apresentamos ao Brasil uma agenda positiva. A presidente não gosta do diálogo, prefere o monólogo. Para isso, fez uma reunião com governadores e prefeitos, constrangendo a todos, apenas ela falou", disse. Ele destacou que a "agenda que interessa ao Brasil mais uma vez está sendo adiada pelo governo".

O tucano lembrou que no segundo turno da eleição de 2010, o candidato do PSDB José Serra obteve 44% dos votos. Ele classificou como desrespeito a apresentação do plebiscito "para com metade da população brasileira" que votou em candidatos que não foram ela. "É um gravíssimo equivoco do governo, que parece que não entendeu absolutamente nada do que veio das ruas", alfinetou.

Padrão Felipão. O presidente do PSDB ironizou a declaração dita na noite desta segunda, 1º, pela presidente segundo a qual o padrão do seu governo é o do técnico Felipão, o treinador da seleção brasileira de futebol que no domingo venceu a Copa das Confederações ao derrotar a Espanha por 3 a 0.

"Se o Felipão governasse inspirado na presidente Dilma, nós teríamos aí mais de 40 jogadores em campo e embolaria muito o meio de campo, como está embolado do governo desde a posse da presidente", criticou Aécio. Em entrevista coletiva, Aécio Neves chegou a dizer que, ao saber da reunião ministerial realizada com Dilma com a convocação dos seus 39 ministros, acreditou que ela iria demitir parte deles. "Achei até que ela ia dizer: ''metade dos que estão aqui, agradeço a contribuição, mas não precisamos mais que vocês gastem o dinheiro público. Infelizmente isso não aconteceu".

Segundo o tucano, a presidente não fez qualquer "mea culpa", "não admitiu um equívoco sequer". "Daqui a pouco vai ter alguém do PT para dizer que a culpa de tudo de errado, dos desvios, da carência de infraestrutura, é de responsabilidade do povo e não do PT, que governa o País há dez anos", afirmou.

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