Dida Sampaio|Estadão
Dida Sampaio|Estadão

Para Aécio, governo demonstra 'firmeza' ao enviar proposta de reforma da Previdência ao Congresso

Integrantes da cúpula do PSDB comemoram anúncio de que discussão será realizada antes das eleições municipais de outubro; senador vê na iniciativa cumprimento de promessa do presidente Michel Temer

Erich Decat, O Estado de S.Paulo

07 de setembro de 2016 | 00h24

BRASÍLIA - Contrariados com a possibilidade de um adiamento na discussão da reforma da Previdência, integrantes da cúpula do PSDB comemoram a decisão do governo Temer de enviar ao Congresso a proposta, antes das eleições municipais de outubro. 

O anúncio do envio foi feito no final da tarde desta terça-feira, 6, pelo ministro da Secretaria de Governo, Geddel Vieira Lima. Apesar de o ministro não divulgar a data, o presidente do PSDB, senador Aécio Neves (MG), viu na iniciativa o cumprimento daquilo que o presidente Michel Temer vinha prometendo antes de assumir o cargo, no lugar da presidente afastada Dilma Rousseff. A decisão do governo foi discutida ao longo do dia entre Geddel e Aécio.

“Ao enviar essa proposta o governo demonstra a firmeza que dele se espera e que nós confiamos que ele tenha. (...) Sempre compreendi que o Michel interino tinha limitações que o Michel efetivo não tem. Acho que é uma sinalização clara dele daquilo que ele tem nos afirmado, que fará o que precisa ser feito. Ele terá apoio integral do PSDB”, afirmou Aécio Neves ao Estado

O senador e o governador de São Paulo, Geraldo Alckmin, potenciais candidatos presidenciais em 2018, criticaram nesta segunda-feira, 5, a possibilidade de o governo adiar a discussão da proposta, em razão do possível impacto negativo num ano eleitoral. 

“O mais difícil não foi afastar a presidente Dilma. Ela caiu porque perdeu as condições mínimas de governabilidade. O grande desafio está por vir. É aqui que não podemos errar. A verdade, é que uma página foi virada, mas uma outra ainda não foi escrita”, considerou Aécio. 

Líder do PSDB no Senado, Cássio Cunha Lima (PB), também ampliou o coro de que o governo não pode deixar de discutir o tema da reforma da previdência, mesmo ele sendo considerado impopular.

“O Brasil precisa ter sinais objetivos de mudança. Não há mais espaço para mentiras e enganação. É preciso ser dito a verdade em relação à previdência brasileira. Há uma necessidade de mudanças para evitar uma situação caótica a médio prazo. Então, encarar os problemas, discutir com a sociedade e com o Congresso eu vejo como um sinal muito positivo”, ressaltou.

Pouco antes do anúncio de Geddel, o líder do PMDB no Senado, Eunício Oliveira (CE), defendeu que a discussão sobre a implementação de mudanças na Previdência Social fossem realizada o “quanto antes”. “Se o governo já tiver o esboço para discutir com o Congresso e com a sociedade, está na hora. Não tem que esperar eleição. Tem que ser feito logo, as claras. O Brasil não aguenta mais subterfúgios”, afirmou Eunício.

Reajuste. Apesar do apoio à decisão do Palácio quanto ao envio da reforma previdenciário ao Congresso, os tucanos ressaltaram que o partido se manterá contrários à aprovação do reajuste dos ministros do Supremo Tribunal Federal. O requerimento de urgência para dar celeridade à votação da proposta deverá ser votado nesta quinta-feira, 8, no plenário do Senado. 

O avanço da discussão da matéria também foi defendida por Geddel nesta terça-feira. “Eu defendo a rejeição do requerimento para que esse projeto seja examinado pela Comissão de Assuntos Econômicos, como todos os demais projetos do funcionalismo foram. Por que o projetos dos ministros do Supremo e do Procurador Geral da República tem um status especial? Esse projeto tem uma repercussão enorme não apenas no orçamento da União como também nos Estados”, afirmou o líder do governo no Senado, Aloysio Nunes (SP). “A posição do PSDB é clara. Não somos contra aumento para o Supremo mas para qualquer aumento numa hora como essa. Achamos inoportuno neste momento”, disse Aécio.

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