Para Aécio, 'equívocos' marcaram escolha de vice tucano

No entanto, o ex-governador de MG ressaltou que os problemas não são insanáveis

Eduardo Kattah, de O Estado de S.Paulo

30 de junho de 2010 | 18h50

BELO HORIZONTE - O processo que levou à definição do candidato a vice na chapa presidencial encabeçada pelo tucano José Serra foi marcado por "equívocos", admitiu nesta quarta-feira, 30, o ex-governador de Minas, Aécio Neves (PSDB). Apesar de reconhecer o desgaste com a crise aberta pela indicação do senador Álvaro Dias (PSDB-PR) para a vaga, em detrimento de um nome do DEM, Aécio ressaltou que os problemas não são insanáveis. O ex-governador mineiro disse que foi convocado por Serra na terça-feira para participar de uma reunião em São Paulo que avançou pela madrugada para "reorganizar as relações" entre os dois partidos. Ele elogiou o nome do deputado Indio da Costa (DEM-RJ), apontado como o novo vice de Serra e aprovado na convenção nacional do partido.

 

"Se você me perguntar se houve equívocos no encaminhamento, houve equívocos. Se eles são insanáveis? Longe disso", disse Aécio, após participar do anúncio do presidente da Assembleia de Minas, Alberto Pinto Coelho (PP), como vice na chapa do governador tucano Antonio Anastasia (PSDB), candidato à reeleição. Em Minas, o DEM também reivindicava o posto, mas foi preterido e participará da chapa majoritária indicando um nome para a primeira suplência de Aécio, que irá disputar uma cadeira no Senado.

 

O ex-governador ressaltou a diferença entre a negociação conduzida por ele no Estado e a articulação nacional. Segundo ele, a partir do momento em que a aliança foi construída, não há diferenciação entre os partidos. "Somos um grupo político, todos são tratados absolutamente de forma isonômica. Todos esses partidos terão espaços no governo."

 

Para Aécio, contudo, o "momento de distanciamento" entre PSDB e DEM está superado. "O pior seria que ninguém quisesse indicar o candidato."

 

O mineiro classificou como "muita adequada" a escolha de Indio da Costa. "Trata-se de um nome que sinaliza para a renovação da política brasileira, com extrema qualidade", disse.

 

Após a pesquisa Vox Populi mostrar a petista Dilma Rousseff na liderança da corrida presidencial - a exemplo do último levantamento do Ibope -, com 40% das intenções de voto contra 35% de Serra, Aécio voltou a dizer que confia que campanha começará para valer após a Copa do Mundo. E considera "muito relativa" a capacidade de transferência de votos, numa referência à hipótese de o presidente Luiz Inácio Lula da Silva impulsionar ainda mais a candidatura de Dilma Rousseff (PT).

 

Para o ex-governador, o perfil dos candidatos e as propostas serão decisivos na definição dos votos. "Aí nós temos uma grande expectativa de que o José Serra tem grande chance eleitoral."

 

600 prefeitos

 

O PSDB mineiro escolheu para o anúncio da chapa majoritária a mesma data em que a aliança da base aliada (PMDB/PT/PC do B) programou um grande evento na capital mineira para anunciar a chapa encabeçada por Hélio Costa (PMDB), tendo Patrus Ananias (PT) como vice. O ato, previsto para a noite de ontem (30), contaria com presença de Dilma.

 

Além do PSDB, a coligação "Sou Minas Gerais" contará com outros 13 partidos (DEM, PPS, PP, PSB, PSC, PMN, PSL, PTB, PSDC, PRB, PDT, PTN e PT do B) integram a coligação.

 

"Calculamos que teremos mais de 600 prefeitos de Minas Gerais ao nosso lado nessa caminhada", destacou Aécio.

 

Na quarta, a Executiva Nacional do PR confirmou anulação da convenção estadual do partido e aprovou uma coligação majoritária informal com o PSDB. Os filiados foram liberados para apoiarem qualquer candidato a governador.

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